ORA DIREIS OUVIR PESQUISAS
As pesquisas eleitorais andam tão desacreditadas que até Paulo Maluf, candidato ao governo de São Paulo, não acredita mais nelas. A pesquisa do Datafolha - dando-lhe 41% contra 45% de Mário Covas - foi a causadora deste súbito desencanto. De agora em diante, Maluf só confia nas pesquisas feitas por seu marqueteiro de confiança, Duda Mendonça.
Duda é um gênio. Fez Maluf trocar os óculos antigos por um novo de armação mais leve e o convenceu a fazer plástica nos olhos. Também fez o candidato do PPB prometer que nunca mais - mas nunca mais mesmo - vai dar trote telefônico na polícia paulista.
Agora o gênio malufista inventou a ‘‘pesquisa instântanea’’, apresentada à imprensa exatamente dois segundos após o debate entre Covas e Maluf, promovido pela Rede Bandeirantes. Se a impressora do computador da agência de publicidade de Duda Mendonça fosse mais rápida, a pesquisa poderia estar à disposição da mídia pelo menos um segundo antes.

A pesquisa de Duda chegou ao preciosismo de perguntar ao eleitor quem ‘‘está sendo mais educado’’ no debate. Foi Maluf, naturalmente. Faltou perguntar sobre os olhos mais bonitos - é do dr. Paulo, óbvio - mas isso fica para a próxima.
Tanto esforço para democratizar a informação merece um empurrãozinho. Por isso apresentamos nossas sugestões de formatos de pesquisas para o próximo pleito. Estão aqui para o uso de qualquer tendência política. Até para o Duda, e sem necessidade de mandar o cheque. Tudo pela democracia.
Jota
NOVAS E PROFÍCUAS PESQUISAS
PESQUISA RASPADINHA ESPONTÂNEA O eleitor compra o bilhete e raspa para ver a quantas anda a popularidade de seu candidato. Com sorte, o eleitor pode ter a felicidade de não vê-lo eleito.
PESQUISA O FUTURO É AGORA Revela o ganhador da eleição antes da abertura das urnas. Sei, todas as pesquisas fazem isso. Mas a ‘‘O FUTURO É AGORA’’ revela também o número de votos em cada urna. É uma metodologia usada informalmente
em cidades do interior brasileiro.
PESQUISA MUITO ÚTIL Essa é de uso exclusivo do candidato. Fica a seu critério a publicação na mídia. Consiste em dedicar uma porcentagem bem alta de votos para o comprador da pesquisa. É só ir fazendo uma pesquisa após a outra com pequenas variações - sempre favoráveis. Essa persistência acaba fazendo o eleitor tornar os números verdadeiros.
PESQUISA DE PAI PARA FILHO Uma revolucionária metodologia. O cacique político pergunta a si mesmo: ‘‘Este meu querido pupilo não é mesmo talhado para a vida pública?’’ Feita a pesquisa, basta fazer propaganda maciça e convencer o querido eleitor. Deu certo com o Pitta em São Paulo.
PESQUISA INDUZIDA O pesquisador, acompanhado por dois brutamontes, faz a seguinte pergunta: ‘‘O senhor não gosta do candidato ‘Fulano de Tal’ ou é da mesma opinião desses dois senhores que acham ele o máximo?’’ É batata! Dá mais bons resultados que pesquisa do Duda Mendonça.








PINOCHET EM CANA!

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