Tucano é um bicho esquisito, sempre em silêncio e com aquele bico enorme que lhe empresta um jeito de pássaro impossibilitado de voar. Economista tucano é mais esquisito ainda. É difícil de entender. Ma ao contrário do pássaro, são dados a altos voôs. E complicam a cabeça da gente.
Primeiro pelejaram - com forças poderosas na peleja, é claro, pois economista tucano não é muito dado a debates - para nos convencer de que o mercado deve ser livre e o estado bem mínimo. O Governo não deve se meter nem na vida de aposentado, nos explicaram. Ele (o aposentado,não o tucano) que se vire por conta própria.
Estavamos quase aplaudindo o tal de ‘‘estado mínimo’’ e agora nos apresentam novos impostos como solução para a crise, revelando para o mundo uma nova teoria econômica, a do ‘‘estado mínimo com impostos máximos’’. Esse tal do economista tucano é complicado, mas merece o Nobel de Economia. Por isso é fácil compreender a acolhida extremamente favorável das minhas modestas idéias para a criação de impostos novos, que apresentei aqui há três semanas. Foi um sucesso em Brasília.
No Palácio do Planalto só existe o receio de que o ‘‘Imposto Sobre Oposição’’ venha a ter uma baixa arrecadação no ano que vem, se prevalecer no PT as idéias do governador e candidato à reeleição Cristovam Buarque, de Brasília. É aquele que propôs que o candidato do PT à presidência mantivesse Pedro Malan no comando da economia mesmo com a derrota de FHC(o bi).
Mas as outras sugestões já estão sendo encaminhadas e estou trabalhando na criação de novos impostos para nos tirar da crise. Para a solução do mais recente problema governamental, o CPMF, já encaminhei uma proposta para o Planalto. Como não seria bem visto o simples aproveitamento da sigla CPMF, apenas passando de ‘‘Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira’’ para ‘‘Contribuição Perene sobre Movimentação Financeira’’, optamos por um novo caminho para superar as divergências sobre o assunto.
Proponho então a criação do ‘‘Imposto sobre a CPMF’’, com uma alíquota mais elevada do que a CPMF. Aprovado o novo imposto, extingue-se a CPMF com o apoio exultante de toda a bancada governista. Extinta a famigerada CPMF, passaria a existir somente o ‘‘Imposto Sobre a CPMF’’.
Vou acabar roubando o Nobel de Economia do bico do economista tucano.

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