A necessidade do homem de abrigar-se, viver sob lajes e telhados, roupas e peles, é o tema da exposição ‘‘Livro das Telhas’’, da artista plástica Josely Carvalho, que se inicia hoje, no Museu de Arte Contemporânea.
Para materializar esta proposta, a artista fez uma instalação de dezenas de telhas de barro, do tipo colonial, empilhadas em forma de ilhas circulares, fazendo referência aos primeiros abrigos humanos. O ‘‘Livro das Telhas’’ é uma releitura do conceito de abrigo.
Em tempos passados, as telhas eram moldadas pelos escravos nas próprias coxas. Essa íntima relação do trabalho com o trabalhador, a opressão do poder sobre os desvalidos fazem parte do processo da mostra. Josely pretende levar para o museu o trabalho das pessoas simples.
Há três anos, quando expôs em São Paulo, a artista levou 3 mil telhas para o Paço das Artes, que posteriormente foram distribuídas a mutirões de casas populares.
Em Curitiba, serão mostradas oito páginas do ‘‘Livro das Telhas’’, com material físico e também no formato de videoinstalação. Somam-se a isso computadores e fotos, numa conjugação de elementos que remetem a uma sequência histórica do primitivo ao contemporâneo. Os índios xetás estarão presentes através de uma instalação, como se fosse aqui o encerramento de um longo processo onde tudo começou.
Josely Carvalho está há muitos anos radicada em Nova York, de onde sai para expor em outros países. Ela tem como companheira a imagem de uma tartaruga, que viria a ser seu próprio símbolo de obstinação e persistência. A tartaruga, claro, está exposta no MAC.
•‘Livro das Telhas’’, exposição de Josely Carvalho, de hoje ao dia 30 de abril, no Museu de Arte Contemporânea (Rua Desembargador Westphalen, 16).

mockup