José Possi Neto dirige encenação em SP
São Paulo, 18 (AE) - Com estréia prevista para o dia 13, a montagem de "O Guarani" no Instituto Alfa será dirigida por José Possi Neto e vai contar com a presença da soprano italiana Lucia Mazzaria, no papel de Ceci, e do tenor Antonio Lotti, como Peri. Os cenários são de Filipe Crescenti e a execução da música está a cargo da Orquestra Sinfônica Municipal, sob a regência de Isaac Karabtchevsky.
Essa não é a primeira incursão de Possi no mundo da ópera. Em 1990, ele dirigiu o espetáculo "M. Butterfly", peça inspirada na ópera de mesmo nome, de Giacomo Puccini. Quatro anos depois, no Festival de Inverno de Campos de Jordão, ele dirigiu uma montagem alternativa de "La Traviata", do italiano Giuseppe Verdi, na qual cantores e orquestra se apresentaram lado a lado com atores como Paulo Autran e Regina Duarte.
Espetáculos não exatamente operísticos, como o próprio diretor gosta de ressaltar, mas que deram a Possi uma visão abrangente em relação aos diferentes gêneros artísticos. "Estou acostumado a transitar em diversas áreas, como o teatro, a música, a ópera, a dança e o cinema, o que me faz entender bem as particularidades de cada um", diz.
Uma das peculiaridades da ópera que mais incomodam o diretor é a impossibilidade de realizar um trabalho mais profundo com o elenco internacional, que só chega ao País duas semanas antes da apresentação. "No teatro, eu me deixo levar pela intuição e busco inspiração no trabalho pessoal dos atores, enquanto em ópera sou obrigado a agir de modo mais racional, fazendo um planejamento", diz. Brasilidade - Possi está preocupado em conciliar as características da partitura de Carlos Gomes com a encenação. "O Guarani é uma ópera brasileira na temática, mas totalmente européia na música, o que está exigindo um trabalho muito próximo com o maestro no sentido de encontrar maneiras de traduzir a brasilidade da obra". Para tanto, irá recorrer ao conflito entre o índio e o branco, um dos aspectos mais controversos de nossa história. "O Guarani trata, no fim das contas, de uma história de amor que implica a união das raças".
A questão histórica preocupa o diretor que, no entanto, não a vê como ponto central da ópera. "Estou procurando conciliar o ponto de vista histórico com a encenação sem, no entanto, privilegiar uma ou outra". A principal motivação de Possi é retratar o espírito da época e, a partir do libreto e do romance, transformar as principais características do período em fio condutor do trabalho. "Estou tomando a liberdade de reinterpretar a obra, pegando as características principais, como a dualidade do navegante português, como base de toda a concepção da montagem". (J.L.S.)





