O tenor José Carreras está de volta ao Brasil para duas apresentações em Curitiba. O artista espanhol, de 61 anos, vem para inaugurar o novo espaço cultural da cidade, o Grande Auditório do Teatro Positivo, na Universidade Positivo, e também para a homenagear o aniversário de 315 anos da Capital.
''É uma honra intervir em um concerto com essas características e também existe a pressão de estar à altura dessas circustâncias. Poder cantar numa cidade de 315 anos é um grande desafio internacional e artístico'', disse.
Carreras vem acompanhado do maestro argentino Enrique Ricci e da soprano chilena Verônica Villaroel. É a quinta vez do tenor do Brasil e a segunda em Curitiba. ''Cantamos para públicos, culturas e classes distintas, como o Brasil, que não têm uma tradição musical tão grande como Áustria, Alemanha e outros países. O artista tenta transmitir emoção, não importa se o público seja do Paraná ou da Finlândia'', comenta.
Em Curitiba, além das apresentações, o tenor fará uma aparição pública amanhã, no Hospital Erasto Gaertner. Desde que se recuperou de uma leucemia, em 1988, Carreras vem se dedicando ao combate à doença e angariando fundos para a Fundação Internacional José Carreras, que também visa o mesmo objetivo. ''Minha doença teve influência em mim, o ser humano, e consequentemente isso influenciou o artista. Certas prioridades mudaram em um ano de tratamento e depois tentei me recompor e o público me aceitou novamente'', lembra.
O contrato de Carreras com o Grupo Positivo prevê um ''acordo de cavalheiros'' em que o tenor não poderá se apresentar no Brasil até o ano que vem. Em 2008, o público que não tiver a oportunidade de vê-lo por aqui deve acompanhar seu trabalho na tevê, na Olimpíada de Pequim. ''Estaremos trabalhando na Olimpíada, na inauguração ou no fechamento. Na Paraolimpíada estarei na abertura'', adianta. ''Tenho experiência em apresentações como essa e o público na China se interessa a cada dia. E quando um país com mais de 1,3 bilhão de pessoas passa a se interessar, fica melhor ainda'', reflete.
A noite de hoje deve ter um repertório ''romântico'', de acordo com a definição do tenor, e com surpresas. ''O concerto é basicamente clássico, com óperas e canções, parte do repertório vem de tenores importantes, como Caruso'', exemplifica. ''É possível que haja uma surpresa preparada para Curitiba'', avisa. O show de hoje é fechado para convidados e o de segunda-feira, para o público, está com ingressos já esgotados.

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