Rio, 12 (AE) - As histórias, os folclores e os principais personagens de Ipanema, um dos bairros mais badalados do Rio, vão ser reunidos num dicionário. Os casos sobre músicos, artistas, intelectuais ou simplesmente bon vivants, que ganharam fama nos anos 60, com o sucesso da música Garota de Ipanema, foram catalogados no livro "Ipanema de A a Z", que o jornalista Mário Peixoto lança no dia 22, na Casa de Laura Alvim
o principal centro cultural do bairro, situado à beira da praia que lhe empresta o nome. Tendo também o bairro como tema, o colaborador do jornal "O Estado de S.Paulo" Ruy Castro lançará
na quinta-feira, "Ela É Carioca - Enciclopédia de Ipanema" (Companhia das Letras, 456 págs., R$ 33,50).
Mário Peixoto é carioca de São Cristóvão, centro da cidade, mas mudou-se para Ipanema no fim dos anos 50, quando a bossa nova começava a nascer e Tom Jobim era um músico de boate, morador do bairro desde a primeira infância. Ao lado de outros personagens, como o poeta e diplomata Vinícius de Morais, parceiro de Tom, os escritores Rubem Braga e Aníbal Machado e atriz Leila Diniz, viu Ipanema passar de bairro provinciano a atração turística da cidade. O dicionário é forma de contar como se deu essa transformação. E histórias não faltam a Ipanema, que se tornou bairro em 1894, quando a prefeitura loteou aquele areal que separava a Lagoa Rodrigo de Freitas do mar.
Segundo os estudos de Mário Peixoto, a bailarina Isadora Duncan foi a primeira musa do bairro, pois se apaixonou por sua praia quando esteve no Rio em 1916, desprezando Copacabana, que então começava a ficar famosa. "Foi nessa época que Ipanema começou a ser povoada, em razão da inauguração do Country Club do Rio de Janeiro, ainda hoje um dos mais tradicionais da cidade", lembra Peixoto. Arquivos próprios - Mas Ipanema teve muitas outras musas e moradores famosos, como a já citada Leila Diniz, o eterno presidente do Partido Comunista Brasileiro, Luís Carlos Prestes (que lá viveu com a mulher, Olga Benário, até ser preso em pleno Estado Novo) e o ex-presidente Juscelino Kubitschek, que morava à beira da praia (segundo a lenda, vizinho ao embaixador do México, que permitiu a abertura de uma passagem secreta entre os dois apartamentos para o caso de uma fuga de emergência). Todos juntos criaram modismos e movimentos culturais que se espalharam pelo Brasil e fizeram a fama do bairro.
Para escrever o dicionário, Peixoto recorreu a arquivos próprios, pois foi fundador e editor durante dez anos do "Jornal de Ipanema", criado em 1966 e considerado um dos precursores do "Pasquim". "Jornalistas e ilustradores importantes como Juarez Machado, Fausto Wolff, Nelson Motta ou Affonso Romano de Santana começaram com ele ou foram colaboradores do "Jornal de Ipanema", conta Marcelo Câmara, que colaborou com Mário Peixoto na elaboração e na organização dos 420 verbetes. "O dicionário é uma continuação dos outros dois livros do Mário, sempre falando sobre Ipanema".

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