Pânico. Assim resume a jornalista C., que pediu para não ser identificada porque isso a prejudicaria no trabalho, sobre o que sente quando precisa viajar de avião. Na atividade que exercia C. disse que realizava cerca de quatro viagens áereas por semana. As saídas nunca foram confortáveis, mas o excesso de turbulência numa viagem realizada em 1997, num jatinho, foi a gota d’água.
O que era medo se transformou em pânico e ela passou a ter crises. Qualquer balanço do avião lhe dava a sensação que o aparelho estava em queda. Além disso ela desenvolvia sintomas parecidos com os da labirintite e taquicardia, dor de barriga, garganta seca e crises incontroláveis de choro. Ela chegou a pedir demissão do emprego. Mas os patrões fizeram uma proposta de trabalho num local fixo, o que segundo ela, deu um pouco mais de tranquilidade.
Durante o tratamento com terapias ela descobriu que o pânico era resultado de um estresse pelo excesso de trabalho. Ela tomou medicação fitoterápica, mas mesmo assim, tinha prejuízos no trabalho. ‘‘Eu ficava muito lenta, e isso era totalmente incompatível com o que eu fazia’’, avaliou.
Atualmente, quando precisa viajar ela evita pequenas aeronaves. Antes disso, ela checa todo o trajeto do vôo e as condições meteorológicas do percurso. ‘‘Quando o tempo está ruim eu viajo de carro’’, admite.
Para pessoas que vivem a mesma situação que ela, a jornalista sugere avaliar as condições de trabalho e se os sintomas não são um sinal para sérias mudanças no ritmo de vida, como aconteceu com ela. Outro caminho é o acompanhamento psicológico. ‘‘Eu ainda espero vencer totalmente esse pânico, mas sei que preciso respeitar meus limites.’’

mockup