Jornalista Moacir Amâncio lança seu 4º livro de poesia
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domingo, 12 de dezembro de 1999
Por Luíza Mendes Furia 
São Paulo, 12 (AE) - As coisas estão onde estão com seus motivos claros. Assim estão as coisas nos poemas de Moacir Amâncio, que lança amanhã (13) seu quarto livro de poesia, "Colores Siguientes" (Musa Editora, 48 páginas), no Finnegans Pub, em São Paulo. São 36 poemas que nasceram em espanhol, entre 1996 e 1997, e com os quais o poeta, também jornalista do jornal "O Estado de S.Paulo", continua a pintar o seu (e o nosso) mundo, ora com cores vivas, vibrantes, ora imerso em seus jogos de luz e sombra, mas sempre com pinceladas concisas.
O verbo pintar não foi usado por acaso. "Vivemos no mundo das cores; elas têm uma força emocional incrível", diz Amâncio, que já no primeiro poema do livro tira de sua paleta a combinação de cinza, amarelo, verde, violeta e branco para descrever como a tarde dá origem à noite, sem se esquecer das reverberações de luz do cristal presentes na chuva. "As cores mexem muito comigo", completa o poeta, que em livros anteriores estabeleceu diálogo com vários artistas - como Wega, Orlando Marcucci, Van Gogh - e já declarou, em entrevista em 1997, que o poeta era como um pintor com "uma tela à sua frente".
No caso de "Colores Siguientes", seu olhar se detém nas tonalidades do idioma e da paisagem espanhóis. "A luz da Espanha, meio chapada, é uma coisa impressionante", comenta Amâncio, que esteve no país algumas vezes, a última delas há cerca de dois anos. Como já observava Antonio Medina Rodrigues na apresentação de "Figuras na Sala", segundo livro de poesia do autor, "em Amâncio há um olho que se entrega sem exigência ou condição; um olho em família, dentro de casa ou no deserto, e que aguarda o macro no micro, mas sem apressar o mundo, sem correr com a imaginação, e fazendo com que as coisas, os bichos e a indiscrição da luz teçam a sua fala apropriada".
A presença da Espanha na poesia brasileira não é novidade - Murilo Mendes, João Cabral de Melo Neto e Renata Pallottini, só para citar alguns autores contemporâneos, dedicaram-lhe belos poemas. A diferença é que nenhum desses escritores ousou utilizar a própria música do idioma espanhol para escrever seus versos como o faz, agora, o também brasileiro Moacir Amâncio, que não teve a intenção de, assim, facilitar o acesso ao promissor mercado editorial do Mercosul - embora isso não esteja fora dos planos da editora - e explica não se tratar de uma extravagância o fato de estar se expressando em castelhano, mas algo que já pertence à tradição lusitana mais antiga - basta lembrar que o português Gil Vicente (que nasceu por volta de 1465 e morreu entre 1536 e 1540) iniciou sua carreira teatral em julho de 1502, ao declamar, justamente em espanhol, seu "Monólogo do Vaqueiro" à rainha d. Maria de Castela. Reação espontântea - Além disso, diz o poeta, cuja convivência com textos em espanhol começou na infância, que os poemas foram se apresentado nessa língua, "como se fosse uma reação espontânea", e ele deixou que acontecesse. Amâncio revela que chegou a tentar traduzi-los para o português, mas a experiência não deu certo. "Perguntei-me, então: por que não?", lembra. "São mundos expressivos nos quais se vai dizer coisas que não se diz em outra língua; então, têm de ser lidos no original".
O espanhol e o português, aliás, não são os únicos idiomas de seus versos. A revista "Dimensão", de Uberaba, publicará em breve uma separata com um longo poema de Amâncio escrito inteiramente em inglês. "Assim como um pintor que faz aquarelas, depois se dedica a esculpir, mais tarde resolve realizar telas a óleo, um poeta pode usar uma língua de seu conhecimento para se expressar", observa Amâncio, que também tem poemas inéditos, dessa vez em português mesmo, no n.º 2 da revista de poesia de "Orion", a ser lançada na quarta-feira na Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Serviço - "Colores Siguientes". De Moacir Amâncio. 48 páginas. R$ 13,00. Musa Editora. Amanhã (13), às 19 horas. Finnegans Pub. Rua Cristiano Viana, 358, tel. 852-3232.


