Jornalista Lauro Machado Coelho discute as origens da ópera em novo livro
São Paulo, 12 (AE) - A Editora Perspectiva promove, sexta-feira, o lançamento do livro "A àpera Barroca Italiana", do jornalista e pesquisador Lauro Machado Coelho. O evento tem início às 19 horas na Faculdade Ibero-Americana (Avenida Brigadeiro Luis Antônio, 864) e será seguido por uma exibição de vídeos com óperas do período.
Segundo livro da série de 15 planejada pelo autor - no ano passado a Perspectiva publicou o volume referente à ópera francesa -, "A àpera Barroca Italiana" procura identificar as origens do gênero. Para tanto, Coelho remonta à tragédia grega para, só então, estudar os primórdios da produção operística nos séculos 16 e 17.
A coleção, no entanto, não se limita a apresentar os compositores e suas obras. A cada capítulo, Coelho demonstra sua preocupação em inserir a produção artística em um contexto mais amplo. "É muito importante mostrar a enorme relação entre a música, a literatura e a história", afirma. Essa concepção permite compreender melhor as características da música e do período.
"As óperas do fim da primeira metade do século 18, por exemplo, apresentavam um descompasso em relação à literatura, já dentro do classicismo, o que condicionou, por alguns anos, a face da ópera barroca", diz. Engana-se, porém, quem acredita que o estudo aprofundado feito por Coelho acabe recaindo em algum tipo de arrogância acadêmica. Além de utilizar uma linguagem acessível, ele procurou fazer indicações de vídeos e gravações disponíveis ao público.
"Minha intenção de fazer referências à discografia existente é, na verdade, uma falsa boa idéia, porque é impossível manter-se sempre atualizado, uma vez que, nesse meio, as coisas ocorrem muito rapidamente". Popularização - A idéia da coleção surgiu da experiência de Coelho nas salas de aula da Oficina Três Rios, onde era professor de História da àpera. "Meus alunos pediam por referências bibliográficas, mas há muito pouco disponível no mercado e a maioria vem de fora, dificultando ainda mais o acesso", lembra o autor, que resolveu, então, reunir o material que havia coletado ao longo de sua carreira.
"A princípio, tinha a intenção de fazer um só livro, mas a quantidade de informações é tão grande que o projeto foi se desdobrando até chegar ao número de 15 volumes", recorda. Sempre preocupado com a popularização da ópera e a valorização do gênero no País, Coelho acredita que seu trabalho pode contribuir nesse sentido. Ele ressalta, porém, que a ampliação do público não deve significar uma redução da qualidade.
"Popularizar nã diz respeito à obra em si, mas a ações que facilitem o acesso a elas, mostrando, por exemplo, que a ópera não é um bicho de sete cabeças". Uma das mensagens mais importantes que o trabalho de Lauro passa ao público é a importância, antes de tudo, da emoção na relação com a música. Para ele, antes de entender os aspectos técnicos e e estruturais da música é preciso sentir. "O aparelho necessário para se gostar de música é bastante simples: basta apenas ter duas orelhas e um coração no meio", ensina. (J.L.S)





