São Paulo, 17 (AE) - As verdadeiras economias de mercado sabem que é importante fazer catálogos (hoje, boa parte deles virtuais). Vídeos, discos, livros, mas também azulejos, remédios
plantas tropicais: você consulta o catálogo da área de interesse e fica sabendo o necessário para ir ao mercado. Quase não existem catálogos, entre nós. Você quer comprar discos de música brasileira? O que está na grande maioria das lojas é porcaria. Como saber o que existe de bom?
Essas perguntas são alguns dos medidores da importância do livro "Guia da MPB em CD", do jornalista Antônio Carlos Miguel (Jorge Zahar Editora, 268 páginas; o livro tem formato de CD e preço de CD: R$ 21,50). "Mais do que um prefácio, essa abertura é uma denúncia do descaso por parte da indústria do disco no Brasil em relação à MPB", escreve Miguel na introdução. Antecipa que, mesmo que os títulos selecionados permitam "um panorama da rica produção musical brasileira lançada em CD", ainda há muitos títulos que não chegaram ao formato. Pior: muitos do que chegam são editados de forma desleixada, sem cuidados com o som, com a embalagem, em tiragens pequenas, de distribuição canhestra. Miguel não pretende que seu "Guia" seja definitivo. Recomenda visitas aos sites dos artistas e dá uma relação de páginas em que se pode comprar disco, via Internet. Seu livro trata da obra - e traça perfil biográfico - de 150 autores contemporâneos de importância indiscutível e comenta cerca de 500 títulos deles, disponíveis em CD, de Adoniram Babosa a Zizi Possi.
Como não tem a pretensão de esgotar o assunto, pode ser lido confortavelmente. Um único desconforto é a inclusão, sob o rótulo MPB, de alguns nomes pertinentes ao pop, como Cazuza, Mutantes, Marina Lima, Raul Seixas ou Rita Lee - mas a discussão é complicada. Mais importante é que há ali notícias biográficas e fonográficas de Zé Kéti e Xangai, Tito Madi e Sérgio Ricardo, Roberto Silva e Paulo César Pinheiro, Nei Lopes e Nara Leão, Mário Reis e Lupicínio Rodrigues, Jamelão e Ismael Silva, Guinga e Francis Hime, Elomar e Dalva de Oliveira, Custódio Mesquita e Celso Viáfora, Billy Blanco e Antônio Nóbrega.
Antônio Carlos Miguel escreve sobre música, sempre em jornais e revistas de expressão nacional, há mais de 20 anos. Seu "Guia" tem menos peso crítico do que valor como referência. Efetivamente, a partir dele, pode-se formar uma discoteca básica da música popular brasileira.

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