Jorge Dória atuou no teatro, cinema e TV com desenvoltura
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sexta-feira, 08 de novembro de 2013
Maria Eugênia de Menezes<br> Agência Estado 
São Paulo Foi enterrado ontem à tarde, no Rio de Janeiro, o corpo do ator Jorge Dória, de 92 anos. Ele morreu por complicações renais e cardiorrespiratórias no Hospital Barra Dor, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio), onde estava internado desde 27 de setembro devido a uma pneumonia.
Nascido no bairro de Vila Isabel, Rio de Janeiro, em 1920, Jorge Dória era filho de militar, teve uma rígida educação e vislumbrava uma carreira como funcionário público. Com a morte do pai, contudo, deixou os planos familiares de lado e rendeu-se às artes irremediavelmente: foram quase 60 anos de carreira, nos quais interpretou papéis marcantes no teatro, no cinema e na televisão.
A estreia
Em 1952, o ator teve um de seus grandes momentos no palco. Primeiro, lançou-se com o espetáculo "As Pernas da Herdeira". Em seguida, entrou para a companhia Eva e Seus Artistas, onde estreou a peça "A Amiga da Onça", de I. Bekeffi e A. Stella. Depois disso, permaneceria por cerca de uma década como ator fixo da cia. No período, firmou-se como um dos maiores comediantes do teatro e se destacou por sua atuação em "O Freguês da Madrugada" (1952), "Sabrina" (1955) e "Valsa de Aniversário" (1957).
O grande salto de sua trajetória teatral, porém, só se deu em 1962, quando protagonizou "Procura-se Uma Rosa", de Vinicius de Moraes, Pedro Bloch e Gláucio Gil, dirigida por Hélio Bloch. Também de Pedro Bloch fez "Os Pais Abstratos", em 1966, sob direção de João Bethencourt. O encenador foi um de seus mais profícuos parceiros e o conduziu em diversos trabalhos de sucesso, entre eles, o mais afamado espetáculo da carreira de Dória, "Gaiola das Loucas". A montagem, que estreou em 1974, ficou em cartaz por cerca de seis anos. Também com Bethencourt voltaria a se encontrar mais de 20 anos depois para conceber "O Avarento", de Molière.
Outro criador que o acompanhou em sua trajetória foi o dramaturgo e diretor Domingos de Oliveira. Ele o dirigiu em clássicos como "Escola de Mulheres", de Molière, que lhe rendeu o prêmio Mambembe de 1984, e "A Morte do Caixeiro Viajante", de Arthur Miller, que estreou em 1986.
O primeiro Lineu
Na televisão, conquistou seu primeiro papel em 1970, na extinta TV Tupi, como parte do elenco da novela "E Nós, Aonde Vamos?" Na Rede Globo, participou, como Lineu, da primeira versão da série "A Grande Família", de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, e Paulo Pontes.
Na emissora, também se destacou no especial "O Noviço" (1975). Nos anos 1980, chamou a atenção em "Que Rei Sou Eu?", novela de Cassiano Gabus Mendes pela qual recebeu o prêmio APCA - Associação Paulista de Críticos de Arte, como melhor intérprete de 1989. De Cassiano Gabus Mendes, também esteve em "Meu Bem, Meu Mal", em 1990. Participou ainda de "Zazá" (1997) e "Suave Veneno" (1999).
Entre 2000 e 2005, pôde ser visto no programa "Zorra Total", do qual se afastou depois de sofrer um acidente vascular cerebral. (colaboraram Fábio Grellet e João Fernando)


