Arquivo Folha‘‘Dona Flor’’ faz sucesso na GloboO escritor Jorge Amado já teve várias de suas obras adaptadas para a tevê. Mas foram poucas as vezes em que pôde ver o resultado, principalmente porque estava fora do País quando as histórias eram apresentadas. No entanto, ele é sincero: prefere não ver porque, por melhor que seja a adaptação, sempre vai acabar descobrindo coisas com as quais não estaria de acordo. O escritor diz que escrever um romance é um processo artesanal, enquanto, na TV, o processo é industrial e ‘‘envolve uma criação coletiva’’.
Apesar de preferir não ver suas obras adaptadas para a TV, Jorge Amado ressalta que, quando vende os direitos, dá ampla liberdade para que o autor recrie a história. Quando Aguinaldo Silva adaptou ‘‘Tieta’’, por exemplo, o final da personagem foi mudado para que ela fosse feliz. Na opinião de Amado, isso não tem muita importância. O importante, segundo ele, foi que a idéia central de sua obra, a preservação do meio ambiente, foi mantida.
Já no caso de ‘‘Gabriela, Cravo e Canela’’, no livro o árabe Nacib não sabe que é árabe, pensa que é brasileiro filho de árabe. Na novela, Nacib sabia que era árabe. Neste caso o escritor não ficou satisfeito, mas considerou que, na média, o trabalho do autor Walter George Durst foi muito bom.
O mais novo livro adaptado para a TV, ‘‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’’, está na 48ª edição e só as últimas 18, editadas pela Record, venderam cerca de 600 mil exemplares. Espera-se que, com a minissérie adaptada por Dias Gomes, as vendas sejam novamente alavancadas. O filme, dirigido por Bruno Barreto, permanece como o maior sucesso de público de toda a história do cinema nacional, com cerca de 12 milhões de espectadores. Em 96, Bruno Barreto chegou a anunciar que lançaria uma versão restaurada do filme, com cenas cortadas pela censura, para comemorar seu vigésimo aniversário. Mas, como estava envolvido com as filmagens de ‘‘O Que é Isso, Companheiro?’’, adiou o relançamento. Pode ser que a idéia vingue até 1999.
Ainda na TV, Jorge Amado teve seu livro ‘‘Mar Morto’’ adaptado para minissérie em 16 capítulos por Aguinaldo Silva, mas a Globo engavetou o projeto, por considerar os custos das gravações muito altos - cerca de 200 mil reais por capítulo. Há alguns anos, João Ubaldo Ribeiro também fez uma adaptação de ‘‘Os Pastores da Noite’’, mas ela nunca chegou a ir ao ar. O projeto foi retomado em 94, com nova adaptação.

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