Divulgação‘‘O Bravo’’ tem a cara de Johnny Deep: é estranho e imprevisívelDepois de fazer parte da seleção oficial do Festival de Cannes de 1997, ‘‘O Bravo’’, que marcou a estréia do ator Johnny Deep na direção, chega às locadoras sem ter sido exibido nos cinemas brasileiros. Em Cannes, o filme despertou muita curiosidade porque além de ter Johnny Deep na frente e atrás das câmeras, aborda um tema pouco explorado por Hollywood e, ainda por cima, conta com uma participação especial de Marlon Brando. Entretanto, as expectativas não se confirmaram e o filme acabou sendo uma grande decepção.
‘‘O Bravo’’ tem a cara do diretor e ator Johnny Deep: é estranho, sombrio e imprevisível. O ator faz o bravo do título, um índio mestiço que não vê perspectivas em sua vida. Para garantir a sobrevivência da família que vive num trailer à beira de um lixão, ele aceita um estranho pacto proposto pelo personagem de Marlon Brando. Numa espécie de anjo das trevas, Brando oferece uma grande soma em dinheiro não em troca da alma do índio, mas do corpo. Para sua família receber o dinheiro, ele terá que se submeter a uma morte lenta, participando de um snuff movie - gênero de filme sensacionalista em que as pessoas são assassinadas em cena.
Abalado com a proposta, o índio volta à sua casa para viver os últimos dias de sua vida com a família. Tempo em que usa para realizar sonhos e desejos da mulher e dos filhos. ‘‘O Bravo’’ é um filme monossilábico, lento e de difícil digestão, mas não chega a ser de todo ruim. Deep explora fotograficamente a miséria em que vive o protagonista, demonstrando certa preocupação com as imagens. Percebe-se também que o filme tem um certo parentesco com a obra de alguns diretores com que Johnny Depp trabalhou como, por exemplo, Jim Jarmusch com quem o ator fez ‘‘Dead Man’’. Vale a pena conferir essa primeira incursão de Deep pela direção. Apesar de não ser um grande filme, ‘‘O Bravo’’ foge ao estilo acadêmico e conservador de Hollywood. Lançamento da Paris Vídeo. Duração: 123 minutos. (C.M.)

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