Johnny Cash western
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
''Atirei em um homem em Reno só para vê-lo morrer.'' A frase, do célebre sucesso ''Folsom Prison Blues'', canção do falecido Johnny Cash, já seria o suficiente para ganhar a simpatia de todos os presos da penitenciária. Mas foi seu comportamento explosivo, o talento indiscutível e as canções de um coração temperamental que transformaram o ''Homem de Preto'' em um ícone tão carismático na música. A carreira do artista volta a ser assunto com o lançamento de ''Johnny Cash - Uma Biografia'', quadrinho do alemão Reinhard Kleist, lançado no Brasil pela editora 8Inverso Graphics.
A biografia em quadrinhos de Kleist toma como destaque a prisão de Johnny Cash. É na penitenciária que o leitor se encontra com o contador da história, um dos colegas de cela do músico. E é com ele que a vida de Cash vai desfilando pelas páginas, desde a infância nos Estados Unidos afundado na recessão dos anos 30, passando pela gravação ao lado de Elvis Presley, seguindo com o encontro com Bob Dylon e o romance com June Carter, até o final, já em nossos anos 2000, com a consagração definitiva.
Kleist, que esteve recentemente no Brasil, mesmo não sendo um fã de Cash, é um hábil contador de histórias. Seus traços são simples e seu controle da pena em preto e branco e tons de cinza fluem em total harmonia com seus textos, cortes e sequências. A grande sacada desta edição foi a de recriar visualmente as canções do ''Homem de Preto'': é nesse momento que o autor pode ''viajar'' e transformar em imagens as letras das canções, com pitadas da estética vinda do western, pois o alemão é fã de faroeste.
A exemplo de como Kleist se sentiu ao ver ''Johnny e June'', o leitor pode ir no mesmo caminho: ambas exploram bem a prisão de Cash, mas ambas vão em diferentes direções. Em comum, a exaltação de uma vida cheia de altos e baixos, de um dos maiores nomes da música country e mundial. Vale até ler um e assistir o outro. E, claro, ouvir também.
Estação Luz - Quando Guilherme Fonseca deixou Curitiba rumo a São Paulo, em 1990, ficou fascinado pela paisagem urbana paulistana. Aquilo seria um terreno fértil para sua imaginação. Passaram os anos e somente após a leitura de ''Fausto'', de Goethe, é que ele encontrou os elementos que precisava para contar uma história. Nasceu ali então a graphic novel nacional ''Estação Luz'', lançamento da Devir Livraria.
O álbum conta a história de Wagner, um professor entendiado com o cotidiano. Depois de um encontro com um simples andarilho, sua vida começa a mudar. Wagner, aos poucos, vai aceitando condições em troca de excitação, o que pode levá-lo para um caminho obscuro.
Guilherme, que já trabalhou em storyboards para os filmes ''O Cheiro do Ralo'' e ''À Deriva'', ambos de Heitor Dalia, busca também esse olhar cinematográfico para ''Estação Luz''. O visual chama a atenção, não só pelas belas cores na arte de Renoir Santos, mas pelo apelo popular: é fácil identificar cenários do dia-a-dia paulistano, como a própria estação de metrô do bairro da Luz e a Galeria do Rock, entre outras locações reconhecíveis do Centro Velho de São Paulo.
Além da história, ''Estação Luz'' vem também com interessantes prefácio e posfácio, inclusive com o detalhamento do curioso processo de produção. A edição se autointitula uma graphic novel mas é apenas uma bom conto visual com elementos fantásticos. Nada mais e nada menos.
Serviço
- Johnny Cash - Uma Biografia tem 224 páginas no formato 17 x 24 cm, com capa colorida e interior em preto e branco e custa R$ 44. - Estação Luz tem 80 páginas no formato 16,5 x 24 cm, com capa e interior coloridos, a R$ 25.


