Johnny Alf recebe hoje o Prêmio Shell de Música
Beatriz Coelho Silva
Agência Estado
O cantor e compositor Johnny Alf é modesto. Tanto que, ao falar sobre o Prêmio Shell de Música, que recebe hoje à noite num show no Canecão, no Rio, diz que foi escolhido para ser o homenageado deste ano graças ao público, que sempre o ouviu e prestigiou, apesar de sua música ser pouco comercial. Aos 70 anos de idade e 50 de carreira, nem sequer admite que foi um precursor da bossa nova, apesar de Tom Jobim ter dito que o ouvia com atenção. Éramos amigos, mas perdemos o contato quando vim para São Paulo, explica ele.
Johnny foi para São Paulo em 1954, mas começou a carreira no Rio, tocando em boates de Copacabana, quando a Princesinha do Mar era o lugar mais chique da cidade e os músicos que seriam autores de nossos grandes hits tocavam nos inferninhos do bairro.
Alf era um deles, mas, ao receber um convite para tocar em São Paulo, foi e nunca mais voltou a não ser para curtas temporadas ou a passeio. Vinícius de Morais protestou. Dizia que São Paulo era o túmulo do samba, mas Johnny não ligou e fez sambas inspiradíssimos para contradizer o poeta-diplomata.
Tendo ou não inspirado os bossa-novistas, o fato é que Johnny Alf, nascido João Alfredo da Silva, em Vila Isabel, na zona norte carioca onde viveu Noel Rosa, criou um tipo de música brasileira que improvisa numa mistura de samba e jazz. Também compôs alguns clássicos que, se não tocam no rádio, não faltam onde há música ao vivo. Eu e a Brisa, Rapaz de Bem e Ilusão à Toa fazem parte de qualquer antologia da nossa música e no repertório de todo cantor brasileiro.
Apesar disso, Johnny nunca fez sucesso popular. Suas músicas sim e ele sempre cantou para um público fiel, que foi se renovando com o passar do tempo, mas que prefere shows intimistas, como se o pianista estivesse tocando na sala de casa. É para esse público que ele faz o show de hoje à noite, acompanhado de Lenny Andrade, Alaíde Costa e Emílio Santiago. Eles são meus amigos há muito tempo e sempre trabalhamos juntos em shows, diz Johnny, que passou o último fim de semana escrevendo os arranjos.
O show será dividido em três partes, em que Alf desfila o repertório dos shows que vem fazendo nos últimos anos e que resultaram em dois discos, Cult Alf, lançado no ano passado, Eu e a Bossa, no qual ele também canta músicas de amigos como Tom Jobim e Vinícius de Morais. Os dois CDs foram gravados ao vivo, para a realização de dois vídeos, Um Retrato de Johnny e Cult Alf, dirigidos por João Carlos Rodrigues. Os vídeos vão ser exibidos de quinta a domingo no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).





