John Galliano leva dior ao surrealismo
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quarta-feira, 20 de janeiro de 1999
Marie-Dominique Follain France Presse 
Homens-estátuas, espelhos sem reflexo e um cenário teatral: John Galliano, estilista da maison Christian Dior, recriou anteontem um ambiente digno de Cocteau para apresentar sua coleção de costura para o próximo verão.
Pierre Verdy/France PresseVestido estampado usado com franja de pérolas, uma criação de Olivier LapidusO modista britânico, que raramente aparece em público, saudou pessoalmente seus convidados e explicou o espírito de sua coleção, inspirada no surrealismo. Mesmo partindo dessa inspiração, os modelos apresentados são perfeitamente comerciais e as clientes devem ficar satisfeitas.
Galliano volta ao estilo masculino que fez o sucesso da casa Dior, com trajes de Príncipe de Gales ou em lã crua. As calças masculinas são trabalhadas com pregas, mas as jaquetas são abotoadas na parte de trás, moldam o busto, deixam ver as costas e marcam os ombros. Os modelos são combinados com blusas lisas e chapéus clássicos inclinados para um lado.
Os vestidos, com incrustrações em forma de cabeça de centauro, marcam uma silhueta de sereia. As heroínas de Galliano são as de Man Ray e Salvador Dalí, em seus longos e delgados vestidos de crespão pantera de encaixe ou tule salpicado com brilhos prateados.
Eric Feferberg/France PresseAs flores fazem a cabeça da modelo que veste roupa primaveril de John GallianoA maravilhosa Laetitia Casta, a francesa mais sensual na opinião dos norte-americanos, fez uma aparição notável para a maison Jean-Louis Scherrer, onde brilha o jovem estilista Stéphane Rolland.
Em sua coleção prevalesce a miscigenação, da África à Itália do Quattrocento, passando pelo Oriente das mil e uma noites. Com ele, a noite revela longas blusas árabes de seda, acompanhadas de saia de corte baixo, trajes de jaqueta Nerhu em renda, roupas de beduínos (com capuz) bordadas com cristal e vestidos venezianos de tule.
Os tons variam dos pastéis aos de especiarias e os preciosos cinturões de ametista amarrados como uma echarpe nos quadris são o toque final de uma refinada coleção.
Eric Feferberg/France PresseVestido de noite, em azul profundo, usado com echarpe sobre os ombros, de GallianoJá Emanuel Ungaro mostra uma coleção mais leve. Nem estampados chamativos, nem cores brilhantes. O estilista opta por uma harmonia de tons suaves de marfim, baunilha, rosa e amarelo. Suas mulheres têm a aparência graciosa das indianas em seus saris de musseline combinados com jaquetas de seda ou camisolas de renda. Os bordados são onipresentes, mas parecem fundir-se nas telas.
Na coleção de Olivier Lapidus, a matéria é o tema principal. Depois dos vestidos em pó de diamante e fibra de legumes, agora é a vez dos estampados musicais. O estilista, que defende a associação da alta-costura à alta tecnologia, aplicou a suas rendas e bordados uma técnica inovadora. Ao lado de jovens técnicos em informática, transformamos os sons em imagens que podem ser impressos em seda, explicou o próprio criador.


