JOEY RAMONE DEIXA PARA SEMPRE A CENA PUNK
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segunda-feira, 16 de abril de 2001
Guto Barra Agência Estado 
O sonho punk acabou no domingo à tarde, 25 anos depois de ter começado. Joey Ramone, o rei do punk e líder dos Ramones, morreu anteontem em Nova York, vítima de linfoma, aos 49 anos. Embora a banda já tivesse feito quase uma carreira paralela em forma de despedida dos palcos, os fãs ainda guardavam uma esperança secreta de poder ver os inventores da baderna reunidos novamente.
O vazio deixado pela maior banda punk dos Estados Unidos fica mais evidente com a atual onda de correção política no país e principalmente o domínio do pop pré-fabricado nas paradas. Desde que estreou, com o disco Ramones, em 1976, o grupo virou referência obrigatória de comportamento jovem, um fenômeno autêntico que se espalhou pelas high schools americanas sem a ajuda das paradas de sucesso (a banda nunca emplacou nenhum disco na lista dos 40 mais vendidos da Billboard) ou da MTV.
É difícil imaginar o impacto que as letras e atitude dos Ramones teriam hoje, época em que as menções a homofobia e misoginia de Eminem são suficientes para meses de controvérsia na imprensa. O uso de drogas e alcoolismo assumido dos integrantes do grupo, incluindo histórias de prostituição, além de letras como Now I Wanna Sniff Some Glue (agora eu quero cheirar cola), teriam hoje condenado a banda ao limbo ou à cadeira elétrica.
Joye (cujo nome verdadeiro é Jeffrey Hyman), Johnny (John Cummins), Dee Dee (Douglas Colvin) e Tommy (Tom Erdelyi) formaram os Ramones em 1974 em Nova York, apresentando-se no circuito alternativo do CBGBs, na região decadente da Bowery, no East Village. Ao lado de Patti Smith, eles foram os primeiros a conseguir um contrato com uma gravadora.
Com sets de 20 minutos e músicas furiosas de três acordes, eles conquistaram uma crescente base de fãs, fizeram 52 shows no CBGBs em apenas dois anos e, em 1976, atravessaram o Atlântico para impulsionar a febre punk também na Inglaterra. Seguiram-se pelo menos 23 álbuns; entradas e saídas de outros integrantes (Marky, C.J.); trilhas sonoras de filmes (Rock N Roll High School e Pet Sematery); colaborações com produtores mainstream (Phil Spector, Dave Stewart); infinitas turnês que passaram por 26 países (de acordo com o web site oficial do grupo); recuperações de alcoolismo e uso de drogas; e vários ensaios de despedidas (discos como Adios Amigos, de 1996, e Ramones Anthology Hey Ho Lets Go, de 1999).
Joey, que estava com 49 anos, havia abandonado as drogas no início dos anos 90 e estava trabalhando em um disco-solo enquanto tratava seu câncer. Seu último show foi em outubro, dentro do CMJ Music Marathon, em Nova York. O álbum, em que Marky toca bateria, ainda não tinha data definida de lançamento (a informação oficial é que não iria acontecer tão cedo), mas sua morte pode dar início a uma nova onda de ramonesmania.
Embora o legado da banda possa ganhar nova importância, a morte do músico impede a realização de pelo menos dois aguardados eventos: uma reunião na cerimônia do Rock N Roll Hall of Fame (eles poderiam ser incluídos a partir do ano que vem) e um filme sobre a trajetória do grupo, Too Tough to Die, que estava sendo desenvolvido na Alemanha. Eles deveriam se apresentar juntos para a cena final da produção. Resta agora esperar que os ramones remanescentes consigam produzir novidades no futuro próximo.


