Outro entusiasta do Teatro de Bonecos é o diretor baiano radicado em Porto Alegre Paulo Fontes, da Companhia Gente Falante. Ele chegou para a abertura do Festival e fica até o último dia, acompanhando as principais apresentações. A peça da Gente Falante, ‘‘João e Maria’’ entra em cartaz hoje, no Teatro José Maria Santos, às 15 e às 17 horas.
A montagem que faz parte de uma sequência de peças que têm como tema a preocupação social. O trabalho anterior, chamado ‘‘Sob a Luz da Lua’’, para público jovem e adulto, tratava da questão dos mendigos urbanos. ‘‘Montamos na época que ocorreram os assassinatos de pessoas queimadas para mostrar o absurdo que estava acontecendo’’, conta o diretor.
A partir dessas pesquisas, outras peças foram montadas e ‘‘João e Maria’’ trata a questão da violência e do abandono infantis. ‘‘João e Maria é uma história tão antiga quanto atual. Reflete a necessidade da sobrevivência. Ao mesmo tempo que é baseada no conto dos Irmãos Grimm, reflete a escola do romantismo alemão e traz um lampejo de esperança’’,
Contar histórias aterrorizantes para conter as crianças em casa era a forma usada na Idade Média. Os contos eram passados de pai para filho, oralmente. Os Irmãos Grimm compilaram essas histórias de forma que tivessem um final esperançoso, com as crianças matando o vilão e voltando para casa.
A peça usa técnica mista: teatro de sombras, bonecos de vara, marionetes de fio, pequenas luzes como vagalumes na floresta, dando a ambientação para que as crianças sintam-se vivendo os personagens. (E.M.C.)

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