João, de novo
João Gilberto, coisa rara, está de volta às lojas de discos - cantando, coisa nada rara em sua mais ou menos curta carreira discográfica, Desafinado, O Pato... Trata-se da edição em CD de João Gilberto Prado Pereira de Oliveira ao Vivo, disco lançado originalmente em 1980 a partir de um especial que o homem-bossa nova gravou para a Rede Globo.
O aditivo são quatro faixas extraídas do especial de TV, mas que não haviam sido incluídas no LP na primeira ocasião. São novas versões de Tim-Tim por Tim-Tim, Estate, Bahia com H e Aquarela do Brasil - nada de novo, portanto. Esforço de recuperação de faixas semiperdidas à parte, a gravadora WEA oferece um espetáculo de desinformação. O encarte (des)informa: Trilha sonora extraída do especial João Gilberto Prado Pereira de Oliveira, da TV Globo.
Quando o especial foi gravado e exibido? Quando o disco foi lançado?
Parece que a gravadora não sabe, não quer saber e tem raiva de quem sabe. Aí há a capa. A original, feita meio ao léu, reproduzia uma imagem desfocada de TV. Por isso, segundo a gravadora, optou-se por desprezar a capa original, que não se daria bem com o formato CD. De resto, há o CD. Mesmo que se trate de um trabalho que acrescenta pouco a sua obra, é razão para comemorar, pois vários de seus álbuns estão fora de catálogo - inclusive os essenciais três primeiros, Chega de Saudade (59), João Gilberto (60) e O Amor, o Sorriso e a Flor (61), deixados de lado por conta de um litígio entre João e a EMI. O que sobra, para comemorar os tais 40 anos da bossa nova, é um álbum com aquelas canções de sempre - e, falar a verdade, algumas raridades. Dessas, há Eu e a Brisa, clássico do precursor da bossa Johnny Alf. É um encontro de sonho, já que os estilos de João e Johnny não costumavam se sentar na mesma mesa. Depois, há uma impagável versão de Jou Jou Balangandãs, de Lamartine Babo, em meigo dueto de João com Rita Lee - ela nitidamente brincando de parodiar o chefão.
De mais ou menos incomum no repertório de João, há ainda Curare, de Bororó, e Canta Brasil, de Alcyr Pires Vermelho e David Nasser. É isso. A homenagem é pela metade. Se não for para vender gato por lebre - afinal, com essa capa nova e sem documentação de data ou detalhes técnicos, pode-se pensar que este é o novo do João, a reedição aos trancos é ainda assim um esforço de preservação de memória. Um dia eles ainda acertam.ReproduçãoJoão
Gilberto:
parcerias
imperdíveis
com Johnny
Alf e Rita LeePedro Alexandre Sanches
Agência Folha





