JOÃO CABRAL NA CULTURA
Francelino França
De Londrina
João Cabral de Melo Neto, considerado o mais importante representante da chamada geração de 45, terá retrospectiva hoje, às 22h30, no programa 30 Anos Incríveis, exibido pela TV Cultura. Sua obra de maior alcance é Morte e Vida Severina, um Auto de Natal ambientado no Nordeste brasileiro. A obra nasceu diante de uma solicitação para criar um poema sobre o Natal, o que culminou numa das mais importantes referências literárias da língua portuguesa.
O latifúndio literário de João Cabral de Melo Neto é extenso, fértil. Autor de Pedra do Sono, O Cão Sem Plumas, A Educação Pela Pedra, Agrestes, Obras Completas, entre outras pérolas literárias. Como poeta, sempre procurou uma emoção intelectual. É uma poesia espessa, não polida. Eu anoto um tema e depois vou lutando, lutando, escrevendo para chegar àquela forma não só em que o que quero dizer esteja claro como também que essa forma tenha uma certa simetria, confessou o poeta, que não fazia concessão ao confessionalismo.
Em 30 Anos Incríveis, a produção vasculhou o baú e resgatou uma participação do poeta no programa Primeiro Plano, da década de 70. Duas Águas, um importante documentário produzido em 1997, é rememorado no programa de hoje, comandado por Gastão Moreira. Há trechos gravados em Pernambuco, Rio de Janeiro e Espanha, país no qual João Cabral trabalhou como diplomata e estreitou amizade com Joan Miró. Ariano Suassuna, Francisco Brennand e Décio de Almeida Prado dão depoimentos sobre João Cabral, ressaltando a importância de sua obra no mundo. O poeta pernambucano faleceu em 9 de outubro de 1999, rezando de mãos dadas com a esposa, enlaçado pela escuridão da cegueira e depressão que o acompanharam nos últimos anos de vida.
Como de costume, 30 Anos Incríveis traz um especialista para fazer importantes apontamentos sobre o tema abordado. Desta vez, Gastão Moreira complementa o especial com uma entrevista de João Alexandre Barbosa, professor de teoria literária e literatura comparada da USP, e estudioso da obra de João Cabral de Melo Neto.





