João Bosco é o homenageado de amanhã do Prêmio Eletrobrás de MPB
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 11 (AE) - Amanhã (12), na hora do almoço, quando subir ao palco do Teatro Rival, no centro do Rio, como o terceiro homenageado do Prêmio Eletrobrás de MPB, o cantor e compositor João Bosco vai se sentir honrado e em sintonia com o mundo. "É uma felicidade vir em seguida a Paulinho da Viola e Dona Ivone Lara (os dois primeiros a receberem o prêmio) e ver que meu trabalho está sendo pensado e analisado por outras pessoas", diz ele. "Num momento em que faço um balanço de meus 26 anos de carreira, é reconfortante saber que há mais gente atenta".
O show/entrevista será um resumo dessa trajetória, desde 1973, quando João Bosco chegou ao Rio, recém-formado em Engenharia de Minas, em Ouro Preto (MG). Lá, havia misturado estudo e boemia e chegou a conhecer e compor com Vinícius de Moraes. "Não lembro muito bem das músicas desse período, a não ser as que gravei no songbook do poetinha", comenta. Desde então foram 19 discos e quase 300 músicas, a maioria gravada por ele, mas muitas registradas por outros cantores, especialmente Elis Regina, que o lançou e lhe reservava sempre uma faixa de seus discos. Ele sabe de cor a maioria delas, mas confessa que, para cantar algumas ao vivo, precisaria estudar de novo.
"O roteiro do show vai ser em função do que me for perguntado pelo entrevistador, o Luiz Carlos Saroldi", adianta o compositor, que vai sozinho com seu violão. "Mas tem músicas, como "O Bêbado e a Equilibrista", "Mestre-sala dos Mares", "Quando o Amor Acontece", "Papel Maché", e "Kid Cavaquinho", que não posso deixar de tocar porque o público exige". Aliás, a grande dificuldade é conseguir peneirar e fazer caber na meia hora que dura o show os grandes sucessos de João Bosco, com seus muitos parceiros. "Acho que houve esta questão também com Paulinho da Viola e Dona Ivone Lara".
Atualmente, além de viajar pelo País em shows para divulgar o CD "As mil e uma cidades", João Bosco se considera em período de recolhimento, para ver que caminho sua música vai tomar daqui para frente. "Assim como o País está começando o ano em meio a dificuldades, também estou conversando com meu violão para escolhermos aonde ir", filosofa ele. "No ano passado, trabalhei muito, viajando pelo Brasil e pelo exterior com uma banda e agora estou pensando em voltar ao violão acústico, para explorar minhas possibilidades instrumentais". No ano passado João Bosco deu também um passo mais arrojado, ao compor a trilha sonora de "Benguelê", último trabalho do Grupo Corpo. "Foi um mergulho na africanidade e no meu passado, revendo o que fiz até hoje para seguir adiante", conta o compositor. "Esse prêmio, neste momento, me deixa feliz porque significa que mais gente considera positivo o balanço de minha trajetória pessoal".


