Epitácio Pessoa/AEJô Soares é citado no ‘‘Guiness’’ como o apresentador de talk-show há mais tempo no ar, no BrasilHá dez anos, o humorista Jô Soares trocava a Globo pelo SBT. E há nove - desde o dia 16 de agosto de 1988 - o entrevistador Jô apresentava a primeira edição de seu ‘‘Onze e Meia’’, o talk-show há mais tempo no ar, no Brasil, façanha que lhe valeu uma citação no livro de recordes ‘‘Guinness’’. Embora tenha contrato com a emissora de Silvio Santos até o ano 2000, Jô vem sendo assediado pela Record e continua cheio de planos. Deixou alguns programas já gravados e viajou de férias para Nova York, onde aproveita para fazer pesquisas visando à preparação de seu segundo livro, além de negociar os direitos de ‘‘O Xangô de Baker Street’’ para o cinema.
Humorista, escritor, pintor, músico (é exímio tocador de bongô), craque em histórias em quadrinhos, entrevistador, garoto-propaganda e apresentador de programa de rádio, Jô ainda encontra tempo para se apresentar com seu show por todo o País e em convenções empresariais. O segredo? ‘‘Quando a gente realmente quer fazer alguma coisa, sempre encontra tempo’’, é a resposta de José Eugênio Soares, 59 anos de idade, 39 de carreira, via fax.
Como humorista, criou mais de 200 personagens, até perceber que a fórmula se repetia. Como entrevistador, ainda mantém o humor como sua marca registrada, mas o forte de seu programa é a credibilidade. Tanto que, nos tempos do governo Collor, o ‘‘Onze e Meia’’ foi apelidado de ‘‘CPI eletrônica’’, tantos eram os convidados importantes que debateram a crise política. O programa também é um dos campeões de prestação de serviços, como intermediário para campanhas beneficentes. ‘‘Só divulgamos os apelos de quem realmente necessita de ajuda e tudo é devidamente checado, comprovado por documentos’’, costuma esclarecer Jô.
No primeiro semestre deste ano, ele voltou das férias com visual novo, ostentando uma barba que seria impossível nos velhos tempos. ‘‘Alguém pode imaginar a personagem Norminha usando barba?’’, pergunta. Também inovou no programa, passando a apresentar entrevistas nas ruas e nos bares de São Paulo. E até aí o humor está presente. Jô ficou surpreso, por exemplo, quando perguntou se um cidadão já teve seu carro roubado. Todos os entrevistados anteriormente haviam afirmado que sim. Aquele disse que não. ‘‘Mas o senhor tem alguma espécie de seguro contra roubo?’’, arriscou Jô. ‘‘Não, não tenho, respondeu o cidadão. Aliás, eu nem tenho carro...’’.
É dessa espontaneidade que o apresentador gosta. ‘‘Adoro ouvir as pessoas, gosto de conversar quando entro num táxi, motorista sempre tem alguma coisa diferente para contar’’, diz. Gosta, também, de fumar charutos, de preferência os cubanos. Nasceu no Rio, mas passou boa parte de sua infância e da adolescência estudando na Suíça.
Fã de Woody Allen, Chaplin e ‘‘O Gordo e o Magro’’, Jô persegue um grande desafio: já tentou várias vezes levar o baiano Dorival Caymmi ao seu programa, mas não conseguiu. Recentemente, aproveitou a entrevista com o filho de Dorival, Danilo Caymmi, e voltou ao ‘‘ataque’’. Danilo sorriu e explicou que seu próprio pai confessa ser ‘‘muito preguiçoso’’, mas prometeu aparecer no programa, algum dia. Resta esperar esse dia. Com a paciência de Jô.

mockup