O jornalista e escritor Jim Crace, 53 anos, já era conhecido e respeitado por suas obras anteriores quando lançou o polêmico livro ‘‘Quarentena’’ (geração Editorial, 238 páginas), que aborda uma passagem da vida de Jesus Cristo, vista pelos olhos de um ateu.
Inglês da pequena cidade de Birmingham, Crace narra em seu romance uma nova versão para o episódio bíblico dos 40 dias em que Jesus viveu sem comida e sem água no deserto.
Adepto das concepções científicas e materialistas da história, o autor recriou o ‘‘seu’’ Jesus, desconsiderando a lenda e a tradição religiosa. No livro, o filho do carpinteiro da Galiléia era humano. No deserto, conviveu com escorpiões, baratas e um grupo estranho de personagens que, como ele, buscavam Deus através das privações materiais.
O livro, tão bem-humorado quanto o seu autor, causou polêmica e espanto na Europa e nos Estados Unidos. Apesar do enfoque ateu, a obra foi surpreendentemente bem-aceita por cristãos e líderes religiosos.
Na verdade, a obra de Jim Crace é um romance sério e muito bem escrito sobre a loucura, a fé e um relacionamento radicalmente novo entre um povo e seu deus. Como pano de fundo, Crace usou a paisagem áspera de uma Judéia imaginária de 2000 anos atrás.
Autor de outros livros famosos, como ‘‘Continent’’, ‘‘The Gift of Stones’’, ‘‘Arcadia’’ e ‘‘Signals of Distress’’, Jim Crace ganhou o prêmio Whitebread para romance, o prêmio E.M.Forster, o prêmio de ficção do jornal inglês The Guardian e o prêmio internacional GAP de literatura. Seus romances já foram traduzidos para 15 idiomas.
Durante sua passagem pelo Brasil, onde veio para lançar nacionalmente o livro no Salão Internacional do Livro de São Paulo, o premiado escritor inglês visitou Curitiba. Ele falou sobre o lançamento com a reportagem da Folha2.
Você é ateu?

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