Arquivo FolhaMuro das Lamentações: o santuário dos judeusEla já foi reverenciada como capital do mundo, invadida e dominada por 12 povos diferentes ao longo de três milênios de existência, destruída e reconstruída após guerras sangrentas e terremotos, santificada pelas três maiores religiões do planeta e dividida ao meio em pleno século 20. Talvez por tudo isso, ou pelo tom claro de suas casas construídas em pedra calcário, Jerusalém é uma cidade única e fascinante.
Maior metrópole do país, com cerca de 600 mil habitantes que formam uma babel de etnias e costumes, Jerusalém reflete o que há de mais moderno e arcaico em Israel. Do Monte das Oliveiras, onde Jesus chorou ao prever a destruição da cidade, tem-se uma visão da parte histórica, cercada por muralhas e que ainda parece parada no tempo. É também ali que estão os principais locais sagrados do judaísmo, cristianismo e islamismo, às vezes separados por uma simples parede.
É comum a procissão que os franciscanos fazem todo dia à tarde pela Via Dolorosa trombar com grupos de muçulmanos indo para a oração nas mesquitas. A Esplanada das Mesquitas, no ponto mais privilegiado da Cidade Velha ‘‘que inclui o Domo da Rocha (com sua cúpula coberta em ouro), local onde os muçulmanos acreditam que o profeta Maomé ascendeu aos céus, e a Mesquita de Al-Aksa’’, fica ao lado do Muro das Lamentações.
Último trecho remanescente do templo sagrado construído pelo rei Salomão por volta de 900 a.C., o muro é aberto à visitação e simboliza a reconquista da Terra Prometida pelos judeus, que deixam, entre as frestas da muralha, bilhetes com pedidos que gostariam de ver cumpridos. O governo chegou a abrir uma linha de fax (009722/561-2222) e um e-mail (webmastervirtual.co.il) para que judeus do mundo inteiro mandem seus pedidos.
Frutas, prataria, tapeçaria e quiosques de quinquilharias religiosas atraem a atenção dos turistas, que buscam nas minúsculas lojas da parte árabe uma boa pechincha.
O centro histórico também está pontilhado de escavações arqueológicas iniciadas depois que Israel anexou a parte oriental da cidade, em 1967, pondo fim à divisão que vigorava desde 1948 (a fronteira com a Jordânia passava pelo meio da cidade). Um programa obrigatório é conhecer a Torre de Davi, uma cidadela de dois mil anos que foi restaurada e transformada num impressionante museu. Ali é contada a história com audiovisuais, maquetes gigantescas, fotos, esculturas e até holografia.
Fora do centro histórico, o Museu de Israel tem como destaque o Santuário do Livro, onde estão expostos os pergaminhos do Mar Morto. Outro é o Museu do Holocausto, um complexo de vários edifícios que lembra os horrores patrocinados pelo regime nazista durante a II Guerra. O Memorial da Criança, construído por um casal de judeus que perdeu o filho em Auschwitz, é perturbador e homenageia 1,5 milhão de crianças mortas entre 1933 e 1945.
Mesmo sendo a capital do país (embora não reconhecida como tal pela maioria dos países, inclusive pelo Brasil), Jerusalém mantém hábitos provincianos e uma vida noturna ainda restrita. Para se ter uma idéia, até poucos anos atrás nenhum cinema abria as portas no shabbat, o feriado religioso semanal que começa na sexta e só termina no anoitecer de sábado. Ainda hoje, se um motorista desavisado circular durante o shabbat por Mea Shearim, o bairro dos judeus ortodoxos, corre o risco de ter o carro apedrejado.
Apesar dos protestos dos ortodoxos, as normas religiosas estão sendo abrandadas. O melhor lugar para sair à noite em Jerusalém é a região dos calçadões da Iaffo Street e da Shlomo Hamelech Street, repleta de bares, restaurantes e cafés. Mas até os moradores reconhecem: quem quiser se divertir deve pegar a estrada e descer para Tel-Aviv, a 46 km de distância.

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