Histórias sobre mulheres solteiras que passaram dos 30 anos (ou à beira dos 40) e recorrem à inseminação artificial para realizar o sonho da maternidade parecem ter caído nas graças de Hollywood. Nos últimos meses, Jennifer Lopez (''Plano B'') e Helen Hunt (''Quando me Apaixono'') estrelaram filmes com essa temática e, agora é a vez de Jennifer Aniston fazer o mesmo na comédia romântica ''Coincidências do Amor''.
Desta vez, porém, as consequências da produção independente são acompanhadas do ponto de vista do lado negligenciado, o masculino. Jason Bateman, conhecido do público brasileiro pelo seriado da TV a cabo ''Arrested Development'' (veiculado por aqui no canal Fox), interpreta Wally, o cara que é desde sempre apaixonado por Kassie (Aniston), mas se contenta em ser o melhor amigo.
Curiosamente, a decisão de Kassie de ter um filho sozinha é celebrada com uma festa, onde o doador escolhido é homenageado. Roland é a personificação do doador ideal: alto, loiro, atlético, bom moço e entusiasta de discursos motivacionais. Numa dessas situações cabíveis só mesmo na ficção, o frasco com a ''doação'' de Roland fica ali, no banheiro da festa, ao alcance de um Wally bêbado, que faz, em termos laboratoriais, o que nunca teve coragem de fazer na prática: repõe o frasco com uma amostra de produção própria.
Depois do porre, para dar sequência à trama fantástica, é claro que Wally não se lembra de nada, e Kassie, grávida, se muda da cidade sem desconfiar que a inseminação foi trocada. Então, o filme é acelerado no tempo e leva o espectador a sete anos no futuro quando, enfim, os desdobramentos poderão acontecer.
Surpresa grata neste longa dirigido por Josh Gordon e Will Speck é a atuação de Thomas Robinson, no papel de Sebastian, que consegue dar a uma criança de sete anos uma dose tão realista quanto preocupante e hilária de neurose. Sebastian, filho de mãe solteira, mostra-se logo uma cópia em miniatura do pai, Wally. Hipocondríaco e vegetariano, o garoto rouba a cena com as crises de doenças decoradas de sites médicos ou revoltas com o costume de comer carne dos pais e colegas. Introspectivo, de poucos amigos, Sebastian encontra no melhor amigo da mãe sua melhor companhia.
Entre a descoberta de que o garoto é seu filho e a iniciativa de investir de uma vez em Kassie para formar uma família completa e chegar ao ''felizes para sempre'', porém, Wally (Jason Bateman) consegue ter qualquer torcida por parte do espectador, e compartilha de cenas divertidas com outros dois bons nomes do elenco, Juliette Lewis, que interpreta Debbie, a descontrolada e modernosa melhor amiga de Kassie, e Jeff Goldblum, como o equivalente confidente e colega de trabalho de Wally.
A interação entre Bateman e Robinson, no entanto, é o ponto alto do filme, e levada com cargas bem equilibradas de humor e sensibilidade. Aos poucos, pai e filho vão se conhecendo e reconhecendo no outro muitas das próprias manias e interjeições. Pior para Jennifer Aniston, que é a parte menos interessante de tudo isso. Numa nova versão de um papel que parece se repetir na carreira da atriz, ela continua linda e de sorriso impecável. Mas seu status logo desaparece ao lado de Bateman.

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