O marketing viral é a nova onda que invadiu a mídia e que alguns artistas estão surfando de costas. Quem já não ouviu falar que o pagodeiro tal está pegando a dançarina daquele grupo que arrabentou no Carnaval baiano ou que o aspirante a ator foi visto com a modelo e atriz do momento, candidata às páginas da Playboy?
Todo esse malabarismo, dizem os entendidos, é só para frequentar a mídia ou divulgar a reboque algum trabalho. Porém, algumas iniciativas não têm necessidade da gente correr atrás de um antivírus para se livrar de factóides que infectam a programação da TV, travando a paciência da gente.
Uma delas é a gravação do CD e DVD ''Jeito Moleque ao Vivo na Amazônia'' pela Universal Music, dos pagodeiros criados em Santana, zona norte paulista, que reuniu um público de 20 mil pessoas. Além de se manter na mídia como a nova geração do pagode, o grupo também vem conquistando espaço pela preocupação ambiental.
O CD está quentinho na praça e o DVD deve ser lançado em abril. O grupo se prepara para viajar o Brasil inteiro divulgando o trabalho. Em maio, os rapazes pretendem conquistar a América e, em julho, Portugal, Espanha e Inglaterra.
Para a gravação do CD e DVD, os rapazes levaram uma equipe de 130 profissionais às margens do Rio Negro, um dos símbolos da Floresta Amazônica, em Manaus, onde foi realizado o show.
A apresentação ecologicamente correta contou com um palco construído em madeira de manejo sustentável, revestido de palha nativa e em formato de oca gigante.
''A oportunidade de gravar na Amazônia é uma coisa incrível. Também acreditamos que com a iniciativa, o mundo inteiro voltará os olhos para a gente, já que a região é bastante conhecida internacionalmente. Foi um sonho 20 mil pessoas cantando com a gente'', comenta Rafael Mendes, o Rafinha, um dos intrumentistas do ''Jeito Moleque''.
A gravação do CD e DVD faz parte do trabalho ambiental desenvolvido pelos pagodeiros, que começou em 2006, promovendo um show considerado neutro em emissão de carbono, através da compensação do gás liberado no meio ambiente com o plantio de 490 árvores.
Além disso, o material de divulgação do show foi produzido em papel reciclado. Os 345 quilos de lixo gerados no evento foram recolhidos para a reciclagem ou destinados ao aterro sanitário pela Central de Tratamento de Resíduos da Amazônia (Cetram).
O ''Jeito Moleque'' ainda envolveu a comunidade no projeto. Cerca de 50 universitários de Manaus receberam treinamento da OAK Educação e Meio Ambiente, uma das parceiras do evento, atuando como monitores ambientais no dia do show, orientando o público sobre a maneira correta de descartar ou reutilizar o lixo doméstico.
Os rapazes que já cantaram para um público de 2 milhões de pessoas na festa de final de ano na Avenida Paulista, em São Paulo, se apresentam como a nova geração do pagode. ''Muitos grupos não se renovaram e acabaram saindo da mídia. A gente se tornou conhecido e as pessoas gostaram porque trouxemos uma nova onda dentro pagode. Era isso que o pagode estava precisando. O sertanejo viaja com uma grande estrutura e cenários. Os grupos de pagode no começo não faziam isso. Nós fazemos shows de igual para igual com os outros gêneros musicais'', aponta Rafinha, um dos segredos do sucesso do grupo.
O instrumentista acredita que o ''Jeito Moleque'' está vacinado contra um vírus que ataca, principalmente, os grupos de pagode e axé music, levando o vocalista a se tornar ''aspira'' de uma carreira solo.
''A gente conversa muito sobre isso no 'Jeito Moleque'. O Bruno, nosso vocalista, tem a cabeça boa. Desde o começo, ele diz que nunca vai sair. A gente é amigo desde a infância, crescemos juntos. A imprensa costuma destacar muito o vocalista e faz o cara pensar que tem que ganhar mais ou sair na revista sozinho. No grupo isso não acontece'', conclui Rafinha.

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