Jeito de veterano
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de dezembro de 2002
Rodrigo Teixeira<br> TV Press 
Kayky Brito é um garoto de 14 anos com jeito de veterano. Com um modo firme de andar e um olhar seguro, ele sempre carrega estrategicamente fotos para autografar e distribuir aos fãs e se mostra simpático a cada abordagem nas ruas. O intérprete do vampirinho Zeca de ''O Beijo do Vampiro'' surpreende pela maturidade e pela visão crítica que já tem do próprio ofício. ''Não adianta o ator dizer que não aguenta mais quando um monte de gente pede autógrafo. Não dá para aparecer em todos os lugares e depois não querer ser reconhecido'', analisa o adolescente paulistano. Kayky, no entanto, experimenta não só as glórias de ser um protagonista de novela global, como se submete também aos sacrifícios da profissão. ''Tive de pintar o cabelo de preto. Sou louro'', explica o garoto, que ainda passa uma cera para o cabelo ficar duro e espetado.
Apesar da maturidade precoce, Kayky é quase um estreante. Ele fez apenas ''Chiquititas'' antes de ser o escolhido entre 60 meninos para o papel principal de ''O Beijo do Vampiro''. O ator entrou para a novelinha do SBT quando foi morar na Argentina com a mãe Sandra e a irmã, a atriz Stephany Brito, já escalada no elenco de ''Chiquititas''. ''Surgiu um teste e passei. Mas não foi nada programado'', assegura o ator, que interpretou o arrogante Fabrício na trama infantil. Contratado por obra pela Globo, Kayky garante não ter como comparar uma produção da emissora à outra do SBT. ''Sem querer puxar o saco, mas a Globo é a Globo'', valoriza.
Quando estiver mais velho, você não vai se arrepender de estar trabalhando muito agora?
Sei que preciso aproveitar a vida. Não só trabalhar, mas brincar também. Senão, você não vai ter infância. Por isso, quando sobra um tempinho, vou correndo fazer natação, passear pelo shopping, jogar futebol... Mas tenho que me dedicar ao trabalho. Porque é realmente uma responsabilidade estrear na Globo logo como protagonista. Mas fiz cinco testes antes de ser escolhido. Começou com um monólogo. O último teste já foi com a Flávia Alessandra e o Thiago Lacerda para ver se me encaixava com o visual da família. Mas não sabia para qual personagem estava fazendo os testes. Só no final me deram um texto da novela mesmo para decorar. Fiz e gostaram.
Como surgiram alguns trejeitos do Zeca, como levantar a sobrancelha, por exemplo?
É tudo meio por acaso. Levantei a sobrancelha uma vez sem ter nada combinado, eles acharam legal e pediram para fazer sempre.
Depois que o Zeca virou vampiro, ficou mais complicado para você interpretar?
Um pouco. Agora, o Zeca fala igual ao Bóris e usa o ''tu''. Vou ter de falar de forma diferente e mudar algumas expressões. Ele também vai começar a se vestir com outras roupas, o que acho que vai ser divertido.
Como você se sente ao contracenar com ''medalhões'' da Globo, como Tarcísio Meira, Luiz Gustavo...
É bom. Todos eles são excelentes. Não dá para apontar o melhor. Há os mais experientes, que estão há mais tempo no ramo. Até hoje, fico meio tenso quando vou contracenar com eles. No início, ficava mais ainda. Com quem converso bastante é o Luiz Gustavo, mas me dou bem com todos.
Na Internet, vários sites de fãs são dedicados a você, principalmente os feitos por meninas. Como é conviver com este lado da fama?
Sem o reconhecimento das fãs, a gente não seria nada. Mas não dá para eu navegar muito nesses sites, porque não tenho tempo por causa das gravações da novela. Mas acho que é preciso saber viver. Porque a fama é passageira e é preciso aproveitá-la ao máximo. Não se pode deixar jamais a fama subir à cabeça. Tem de chegar nos lugares, dizer ''Oi!'', ''Tudo bem?'', cumprimentar... Porque o carinho dos fãs é muito bom. Na minha escola, não tenho problema, porque todo mundo já me conhecia antes da novela. Recebo bastante carta também. Quando tenho tempo, respondo às fãs, mando fotos... É muito bom.
Você pretende seguir realmente a profissão de ator?
Pretendo continuar neste ramo. Agora não dá, mas depois da novela quero fazer cinema. Também quero ganhar o Oscar um dia. Sei lá. Quero ser igual ao Roberto Naar e Marcos Paulo, que são diretores da Globo. Eu me espelho neles. Outra vontade é fazer faculdade de Cinema.
Você é bastante ambicioso...
Sou, sim. Bastante. Quero alcançar os meus sonhos.


