Jeitinho de museu a céu aberto
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domingo, 23 de agosto de 1998
Agência Estado 
Renata CerqueiraPatrimônioOuro Preto abriga o maior acervo homogêneo da arquitetura barroca do mundo. São mais de 3 mil prédiosOuro Preto é uma daquelas cidades que causam amor à primeira vista. Tem um charme barroco, com ruelas antigas, casas seculares e estrutura turística impecável. Além disso, é um dos únicos destinos nacionais onde um estrangeiro pode chegar e se adaptar sem tropeços, já que quase tudo é trilíngue por lá, desde os menus de restaurante até o atendimento dos guias, que podem ser contratados na Secretaria de Turismo local. Aliás, quem visita Ouro Preto deve estar preparado para encontrar hordas de italianos, ingleses e americanos e sair com a impressão de que os estrangeiros, afinal de contas, conhecem melhor as preciosidades do Brasil do que os próprios brasileiros. Mas os nativos também não têm com o que se preocupar. Tudo está à mão, de caixas 24 horas de todos os bancos a restaurantes com tipos variados de gastronomia, desde um sofisticado bistrô francês até um simples self-service.
Esta é uma cidade para quem quer conhecer a fundo a história do Brasil: ela é a própria história. Seu forte são os museus e as igrejas. Mas vai muito além disso: em cada esquina, em cada casa, sobre cada pavimento passaram, além de toneladas de ouro, personagens e heróis que todos conhecem desde as aulas da escola primária.
Renata CerqueiraAs igrejas e museus são o forte do acervo arquitetônico da cidadeA casa onde Tomás Antônio Gonzaga (ou Dirceu) escrevia suas poesias apaixonadas para Marília, e que hoje hospeda a Secretaria de Turismo. O Largo do Coimbra, onde se encontra a mais bela das igrejas locais, a de São Francisco de Assis. As obras maravilhosas de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, considerado o maior escultor brasileiro.
Toda a história destes, e de outros personagens, está lá, intacta. Basta caminhar para resgatar tudo o que o Brasil viveu na época em que sua história começava a ser escrita e que, atualmente, está regado com um bom humor tipicamente juvenil, há mais de 100 repúblicas, lotadas com os 2.200 estudantes que frequentam a Universidade Federal de Ouro Preto.
ReproduçãoCapela Mor da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição: ostentação barrocaTudo em Ouro Preto vale uma visita, mas alguns lugares são obrigatórios. Ela abriga o maior acervo homogêneo da arquitetura barroca do mundo. São mais de 3 mil prédios edificados no decorrer dos séculos 18, 19 e 20, no estilo barroco, rococó, neoclássico e eclético. Qualquer uma das ruas do centro poderia servir de cenário para cinema, com suas casinhas bem pintadas, varandas originais e coloridas e as ruas de paralelepípedos limpíssimas, embora cheias de carros.
Por estas e outras razões, Ouro Preto foi a primeira cidade brasileira a ser reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, em 1980. Assim, os habitantes podem até modificar a estrutura interna de suas casas, que obrigatoriamente precisam ser modernizadas, porém mexer na fachada significa muita dor de cabeça. Graças a isso, a cidade mineira mantém seu jeitinho de museu a céu aberto.


