Jean-Louis Steuerman toca amanhã na Sala São Paulo
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sábado, 17 de julho de 1999
Por Ricardo de Souza 
São Paulo, 18 (AE) - Um presente maravilhoso para São Paulo. Assim, o pianista Jean-Louis Steuerman define a inauguração da Sala São Paulo do Complexo Cultural Júlio Prestes
onde ele se apresenta amanhã (19), às 21 horas. No recital, Steuerman vai executar a composição "Variações Goldberg BWV 988", de Johann Sebastian Bach, peça formada por 30 variações e tocada sem intervalo.
O pianista desfila elogios para o local do recital desta noite, que conhecia quando ensaiou com a Orquestra Sinfônica do Estado para uma apresentação no Festival de Inverno de Campos do Jordão, no início do mês. "Também já conhecia os arquitetos responsáveis pelo projeto de acústica, que são considerados os melhores do mundo", conta o pianista. "Acredito que seja a primeira vez que um projeto de acústica desse nível é adaptado a um prédio antigo."
Sobre a escolha da peça de Bach, Steuerman confessa que não teve dúvidas. Para ele, a "Variações Goldberg" é a obra mais importante do compositor para teclado. "Ela foi escrita no auge da capacidade criativa de Bach, num momento em que ele olhou para o mundo e disse o que pensava de si mesmo e de Deus"
analisa o pianista, que nasceu no Rio e hoje mora em Londres. "É uma peça completa, que não poderia ser tocada acompanhada por outro instrumento."
A paixão de Steuerman pela composição de Bach é tão intensa que ele pensa em gravá-la brevemente. Aliás, isso quase ocorreu. Depois de um concerto em Londres, uma gravadora americana com a qual ele tem um acordo sugeriu que fosse produzido um CD ao vivo. "Não me interessei porque quero gravar em estúdio, fazer uma coisa mais completa; durante o concerto, apenas a emoção do momento é registrada."
Steuerman fez a estréia com a Orquestra Sinfônica Brasileira aos 14 anos. Em 1967, foi para a Europa, onde estudou no Conservatório de Nápoles. O currículo dele inclui apresentações com a Hale Orchestra, com a Royal Liverpool Philharmonic e com a Sinfônica de Londres. Recentemente, gravou as três suítes de Girolamo Arrigo e a obra completa para piano e orquestra de Mendelssohn, com a Orquestra de Moscou, lançado pelo selo Philips em 1996.
Agora, é a vez de levar seu virtuosismo para o mais novo espaço musical do País, que, para ele, é um sonho que se realiza. "Obras como essa são cem vezes mais importante do que construir túneis ou viadutos", opina Steuerman. A próxima atração da Sala São Paulo é a também pianista Cristina Ortiz, que se apresenta no dia 26.


