Jean Charles, para celebrar a vida
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Reportagem Local 
Deste filme todos conhecem o final. Mas mesmo sabendo que o personagem foi praticamente executado com sete tiros na cabeça pela polícia inglesa em 2005, na estação de metrô de Stockwell, sul de Londres, ao ser confundido com um terrorista islâmico, o público vai agora conhecer o resto da história deste eletricista mineiro.
Segundo o diretor e co-roteirista Henrique Goldman, brasileiro radicado na Inglaterra, o desfecho trágico é apenas parte da trama. Segundo ele, o principal objetivo do filme é mostrar a trajetória de Jean Charles e seus primos vivendo, trabalhando e se divertindo em Londres, todos buscando melhorar suas condições de vida. ''É um filme sobre a vida, não sobre a morte'', garante o diretor.
''Jean Charles'', lançamento de hoje no circuito nacional (veja a programação de cinema na página 2), quer mostrar o ser humano que havia por trás daquela pessoa que só ficou famosa por aqueles poucos minutos quando entrou no trem e foi baleada sem qualquer possibilidade de se identificar. ''Nossa intenção foi mostrar o cara que ninguém conheceu, de quem na ocasião se sabia muito pouco. A opção foi fazer com que o público soubesse quem ele era de fato, e a partir do envolvimento emocional compartilhasse nossa indignação com o que aconteceu'', afirma o co-roteirista Marcelo Starobinas.
O início da permanência de Jean Charles na Inglaterra foi em 2002. Como milhares de brasileiros que imaginam encontrar o Eldorado nos EUA e na Europa, ele chegou a Londres, onde encontrou trabalho como eletricista. Mas seu sonho só durou três anos. Jean Charles foi confundido pela polícia com um dos extremistas islâmicos que teriam planejado o ataque frustrado ao sistema de transporte da capital britânica em 21 de julho de 2005. No dia seguinte, o brasileiro foi seguido ao sair do apartamento onde morava e, ao entrar num vagão do metrô, foi sumariamente executado por um grupo especial da polícia londrina.
Segundo Starobinas, ''Jean Charles foi uma pessoa que viveu esta história do imigrante de forma muito representativa da média dos brasileiros que estão vivendo lá fora''. Segundo os autores do roteiro, o filme mistura fatos reais e ficção. ''É quase como se, para contar a realidade de um jeito mais profundo, a gente tivesse que inventar um pouco. Isso nós fizemos despudoradamente.''
Selton Mello, que está em quatro de cada três lançamentos brasileiros do momento, vive o personagem-título. A seu lado, Vanessa Giácomo e também alguns não-atores, pessoas que viveram o dia-a-dia em Londres ao lado de Jean Charles. Segundo os produtores, entre eles nomes de prestígio internacional como o cineasta Stephen Frears (As Relações Perigosas) e Rebecca O'Brien, produtora de todos os filmes de Ken Loach (Ventos da Liberdade). Os trabalhos de adaptação da história e filmagens foram sempre muito próximos dos familiares de Jean Charles, que receberão um percentual sobre a bilheteria. Não se tem notícia sobre data de lançamento do filme na Inglaterra.


