O guitarrista belga Django Reinhardt (1910-1953) entrou para a história do jazz europeu ao introduzir o jeito cigano de tocar. Destacou-se entre as décadas de 30 e 40, simultaneamente à difusão em grande escala do próprio jazz no Velho Continente.
Seu legado tem seguidores em todo o mundo. Em Londrina, o músico Mauro Albert vem divulgando há três anos as composições de Django e da tradição gypsy (cigana) através do grupo Poucas & Boas. Nesta temporada, sua iniciativa ganhou mais um reforço: o projeto Drom Manouche, que formou com o violonista francês Louis Plessier, outro herdeiro musical do jazz cigano e que foi casado durante 39 anos com Marie Weiss (morta em 2000), sobrinha do mestre belga.
O duo recém-criado e o Poucas & Boas fazem shows amanhã e sábado, às 20h30, no Teatro Zaqueu de Melo. O espetáculo, intitulado ''Gypsy Jazz Nights'', é uma ''reunião de amigos dedicados ao estilo'', define ele. ''Desde que deixei de lado a viola caipira para desenvolver esse trabalho, tenho notado um interesse crescente das pessoas a cada apresentação com uma significativa presença de jovens na plateia. É como se eles estivessem saturados de tanto ser bombardeados de música ruim'', diz.
Poucas & Boas sobe ao palco com Albert (violão e guitarra), Celso Pacheco (violão), Wagner Costa (violino), Isaías Santos (contrabaixo), além das participações especiais de Wesley Florêncio (saxofone) e André Campelo ''Baby'' (guitarra). Eles interpretarão temas de Django Reinhardt, Stéphane Grappelli (1908-1997) e peças de autoria anônima de domínio público.
O Drom Manouche, por sua vez, conta com Cristian (violão) como músico de apoio e executará repertório autoral. Louis Plessier, casado com uma brasileira, está morando desde o início deste ano em Londrina. Em julho de 2011, participou de dois shows de Mauro Albert no Circo Funcart e retornou posteriormente à cidade para gravar um álbum com o londrinense. Acabou fixando residência.
''Na época da gravação, ele ficou cinco dias em casa. Acostumado com a neve na França, teve que suportar um calor terrível. Gravamos nossos improvisos, o que ia surgindo na hora. A captação de áudio não teve nenhuma edição. Registramos tudo com meu filho correndo pela sala. A ideia era mostrar o que acontece de verdade porque o que mais se vê por aí é disco maquiado que esconde os erros e as desafinações'', conta.
O disco foi disponibilizado na internet (www.drommanouche.com.br). ''Por enquanto, não temos a intenção de editá-lo. Hoje em dia, a gente pensa 20 vezes antes de prensar um disco'', observa, remetendo às relações de custo e benefício no processo de lançamento de um álbum em formato físico. Mauro explica que seu novo parceiro musical segue as raízes do som cigano.
''O manouche jazz tem várias ramificações desconhecidas pela maioria das pessoas, que acabam tendo uma visão deformada do estilo. É como o samba que, no exterior, é visto como uma coisa só sendo que tem o partido alto, o samba-canção, o samba de breque e outras vertentes. O Louis faz manouche de raiz'', salienta.
O duo já tem shows agendados através do circuito Sesc paulista: dia 27 de setembro toca em Piracicaba e dia 24 de outubro em Santos.
Já o Poucas & Boas tem apresentação marcada em Londrina: dia 9 de setembro no Valentino, desta vez com a presença do ''titular'' Ricardo Penha no contrabaixo.

Serviço:
- Espetáculo musical ''Gypsy Jazz Nights'' - Show de Poucas & Boas e Drom Manouche
Quando - Amanhã e sábado às 20h30
Onde - Teatro Zaqueu de Melo (Av. Rio de Janeiro, 413), em Londrina
Ingressos - R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Ponto de venda - Sonkey (Rua Souza Naves, 09)
Informações - (43) 3301-7133

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