Jazida de músicos
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sábado, 20 de setembro de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Não está registrado na história da música brasileira, mas a Vanguarda Paulistana, movimento cultural que agitou o circuito alternativo entre 1979 e 1985, a reboque de Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção, poderia muito bem ser rebatizada de vanguardismo londrinense, numa revisão histórica.
A reivindicação não é absurda. O músico Sidney Giovenazzi, radicado em São Paulo, um dos nomes da Vanguarda Paulista, diz que talentos londrinenses estão sendo cada vez mais solicitados para participações em gravações e shows de artistas de São Paulo e Rio de Janeiro
''Londrina tem um traço que não sei explicar. A cidade é uma jazida de músicos. Tenho uma história interessante sobre isso. Em 1993 estava em Londrina, que era na época para mim uma espécie de caverna do cientista louco, onde tinha condições de fazer um trabalho musical. Visitei grandes produtores de música em São Paulo, entre eles Pena Schmidt e fiquei esperando um contato. Um dia, por volta da 1 hora da madrugada, o Peninha me ligou, perguntando se todos de Londrina faziam uma música louquíssima desse jeito, querendo saber se a água da cidade era diferente. Não sei como explicar'', conta.
Mesmo sem encontrar uma explicação, Giovenazzi garante que a qualidade musical londrinense é fato e que essa produção precisa ser dirigida, lapidada e produzida. ''O Brasil precisa descobrir isso em Londrina. A cidade tem condições de se transformar num pólo musical por causa desse traço, tanto em número quanto em qualidade''.
O saxofonista Paulo Siqueira acredita que o interesse de artistas paulistanos e cariocas por músicos londrinenses é maior em relação aos que têm experiência em estúdio e facilidade de improvisação.
''É mais fácil reunir um grupo de músicos londrinenses para ensaiar do que em São Paulo. Além disso, os profissionais pegam tudo rápido. Os londrinenses têm influência de tudo, desde o rock, jazz e samba. Isso ajuda bastante no resultado final e na hora de misturar tudo e fazer uma coisa com a nossa cara'', afirma Siqueira, que já foi convidado para fazer arranjos para o músico do Rio de Janeiro, Valdir Batone, que preferiu gravar em estúdio de Londrina.
Para o guitarrista Osmani Júnior, a preferência por músicos londrinenses não tem nada a ver com mão-de-obra barata. Ele garante que os londrinenses recebem remuneração equivalente à praticada nas capitais. ''Aqui tem bons músicos e a tradição do Festival de Música de Londrina. Uma oportunidade para conhecermos esse pessoal e também sermos conhecidos. A gente escuta de tudo em Londrina. Eu já toquei em bandas de vários estilos e isso é muito legal na cidade''.


