SÃO PAULO - Bloqueio criativo, intimidação perante o próximo álbum, conflitos de direção artística. Nada disso existe no léxico dos dois pesos-pesados do rap atual, Jay-Z e Kanye West.
Se eles fazem um bom disco, é apenas para, na sequência, entregarem outro melhor.
E em ''Watch the Throne'', seu primeiro álbum como dupla, os rappers escancaram os limites do hip-hop com infusões primorosas de soul, R&B, gospel e jazz em meio ao fundo dance-pop.
O disco foi lançado na segunda-feira pelo iTunes e hoje chega às lojas no exterior em formato físico. Ao Brasil deve chegar no dia 30.
O projeto foi concebido há quase um ano e gravado com diversos produtores e colaboradores em hotéis do mundo.
Em uma primeira audição, ''Watch the Throne'' soa ridiculamente grandioso. Samples, loops, viradas rítmicas imprevisíveis e coros femininos sobrecarregados.
Em ''Otis'', o segundo single, a dupla tem a pachorra de evocar a ''participação'' do próprio Otis Reading (1941-1967).
Mas basta escutar algumas vezes para perceber como tudo se encaixa nesse auspicioso mosaico de texturas. O duo tem munição em excesso, mas não soa excessivo.
O rapper Kanye West reafirmou o produtor irrequieto que também é em faixas como ''No Church in the Wild'' e ''Why I Love You'', que trazem a mesma atmosfera sombria do seu último álbum solo, ''My Beautiful Dark Twisted Fantasy'' (2010).
Jay-Z dispara sua típica metralhadora verbal em rimas basicamente sobre sexo e poder, como ''Niggas in Paris'', que integra a versão de luxo do álbum. A ''patroa'' Beyoncé ainda comparece na açucarada ''Lift Off''.
''Watch the Throne'' é um exercício de artistas que têm tudo que poderiam querer e sabem se divertir. Quem tiver algum problema com isso que tente tirá-los do trono.

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