Jataizinho organiza museu histórico
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Francismar Pereira Lemes<br> Reportagem Local 
Um inimaginável avanço das forças platinas mais sobre o brio de um monarca, que foi considerado símbolo da unidade do Brasil, do que um episódio factível são histórias que serão contadas pelo museu de Jataizinho, que há quatro anos vem levantando acervo com famílias de descendentes de pioneiros.
Apesar da instalação da Jathay, antigo nome da cidade, ter acontecido em 1850, e à qual outros municípios como Londrina, Maringá, Rolândia, Arapongas, Mandaguari, Ibiporã, Assaí, Cornélio Procópio, entre outros pertenciam, somente agora é que o acervo histórico finalmente será organizado em um museu.
Faltava um espaço para abrigar as quase 200 peças que já foram conseguidas, através da doação de famílias de Jataizinho. Depois de muita discussão e mudança de prováveis locais para abrigar o museu, a Casa de Cultura de Jataizinho será reformada para receber o acervo. O prédio fica na Praça Frei Timóteo, em frente a matriz Nossa Senhora Imaculada Conceição. O religioso é um importante personagem da história da cidade.
O município irá investir R$ 55 mil reais na reforma do espaço, que está depredado. O diretor do Departamento de Educação e Cultura de Jataizinho, Celso Ribeiro, afirma que a obra está sendo licitada. ''A reforma prevê, entre outras coisas, a troca de telhado e vidros das janelas. Também é preciso instalar um laboratório para tratamento de algumas peças e fotografias. Tudo o que for necessário para um museu deverá ser feito'', acrescenta Ribeiro.
José Cezar dos Reis, ex-diretor do Museu Histórico Padre Carlos Weiss e professor aposentado do Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é um grande entusiasta da criação do museu de Jataizinho. Junto com uma equipe de colaboradores formada ainda por Elenice Dequech e Amauri Ramos da Silva, que é técnico em museologia da UEL, vem se empenhando para sensibilizar a comunidade sobre a importância da doação de objetos, documentos e fotografias de valor histórico.
Documentos como os desenhos do engenheiro do século 19, John Elliot, que estavam no Arquivo Público do Paraná e que Reis conseguiu reunir para o acervo. ''Os engenheiros no século 19 eram meio que fotógrafos. Eles observavam as paisagens e desenhavam buscando detalhes antropológicos. Elliot veio fazer estudos das possibilidades e potenciais da região para dom Pedro II. O império queria fazer uma comunicação fluvial entre o interior do Paraná com o Mato Grosso. O engenheiro levantava a profundidade do Rio Tibagi e a força das corredeiras para a possível rota de navegação'', conta Reis.
Uma inimaginável invasão platina à região tirava o sono do monarca, o que favoreceu o processo de colonização de origens militar e religiosa. ''À margem direita do Tibagi foi instalada uma colônia militar. Vieram soldados/colonos que deveriam ocupar a região. Na margem esquerda, um lugar que da praça da matriz pode ser avistado como uma pequena elevação, foi formado o Aldeamento São Pedro de Alcântara, liderado por Frei Timóteo Castelnuovo'', destaca o pesquisador.
Numa pesquisa que fez, ele aponta uma transfuga de índios do Mato Grosso e terras paranaenses num vaivém pelos rios Paraná, Paranapanema e Tibagi, o que permitiu o aldeamento, onde eram catequizados. ''Quando Frei Timóteo morreu, os ossos do religioso foram preservados por uma ds primeiras professoras de Jataizinho, Adélia Antunes Lopes, que dá nome a um colégio estadual da cidade. Os restos mortais estariam sepultados no cemitério municipal. Não temos muitos registros da atuação do destacamento militar. Familiares desses militares ociosos, porque os platinos não chegaram ao povoado, receberam a doação de terras, o que colaborou para a ocupação da região'', explica Reis, lembrando que a falta de preocupação com a preservação histórica fez muita coisa que poderia ser peça do museu se perder.
Entre os objetos e documentos antigos conseguidos estão fragmentos de utensílios indígenas, ferramentas agrícolas e 30 armas antigas, sendo algumas do período imperial. ''O acervo do Museu Histórico Padre Carlos Weiss tem uma adaga que teria sido achada no Rio Tibagi e que seria do período da Guerra do Paraguai. Quando organizarmos o acervo do museu de Jataizinho queremos levar a peça para a cidade'', comenta Reis.
No acervo de histórias e folclores sobre a colonização da região, a visita de dom Pedro II é a peça de maior valor para os moradores. Três dias de mesa farta e descanso para dom Pedro II, que visitou a antiga Jataizinho do século 19. O monarca chegou à região para acompanhar o movimento intenso no Rio Tibagi. A tradição diz que o imperador se hospedou numa casa onde foi o antigo posto dos Correios. No povoado, dom Pedro teria assistido a uma missa campal, presenteando Frei Timóteo e a comunidade com uma imagem de Nossa Senhora da Imaculada Conceição banhada a ouro e um sino.


