Jardins de cores e tons
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terça-feira, 11 de março de 1997
Da Redação e agências 
ReproduçãoNeste quadro de 1885, Monet retrata um braço do Sena em GivernyOs presidentes do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, e da França, Jacques Chirac, inauguram hoje, no Rio de Janeiro, a primeira exposição do pintor francês Claude Monet (1840-1926) na América Latina. A mostra, orçada em R$ 2,5 milhões, apresenta, no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), até o dia 19 de maio, 30 telas procedentes do Museu Marmottan, de Paris, que mantém grande parte do acervo do artista.
Depois, as obras do pintor, considerado um dos maiores nomes do impressionismo, serão vistas entre 28 de maio e 28 de julho no Museu de Arte de São Paulo (Masp).
A maioria dos quadros que serão apresentados no Brasil retrata os jardins de Monet e faz parte da chamada fase Giverny, cidade a 75 quilômetros de Paris, onde o artista viveu seus últimos 43 anos.
Sobre os jardins de Monet, o escritor francês Marcel Proust escreveu no jornal Le Figaro, em 15 de junho de 1907: Se eu puder algum dia ver o jardim do sr. Claude Monet, certamente sentirei que estarei vendo alguma coisa que não é tanto um jardim de flores quanto de cores e tons, menos um jardim de flores fora de moda que um jardim de cores por assim dizer, que alcança um efeito não inteiramente próprio da natureza porque foi plantado somente com flores cujas cores combinam e florescerão ao mesmo tempo, harmonizadas em uma infinita expressão de azul ou rosa.
Flores e cores As obras mais significativas da fase Giverny são as séries que retratam as ninféias (plantas aquáticas da família da vitória-régia, que o pintor cultivava em seu jardim), as glicínias (flores que ele também cultivava), o caminho das rosas (uma aléia à entrada de Giverny) e a ponte japonesa.
Diversos óleos sobre tela dessas séries estarão na exposição, da qual fazem parte também alguns guaches e desenhos sobre tela e sobre papel. Sete telas do início da carreira do pintor também estarão expostas.
Serão vistos ainda os quadros pintados no final da vida do artista, que mostram um Monet pré-abstrato. Uma faceta pouco conhecida de Monet, a de caricaturista, também poderá ser conferida. Foi justamente pelas caricaturas que o artista chamou a atenção do pintor Eugene Boudin, na época já consagrado, que o incentivou a pintar. Um dos quadros mais esperados, Impressões do Sol Nascente, de 1874, que deu nome ao movimento impressionista e faz parte do acervo do Marmottan, não virá ao Brasil. Segundo os organizadores da exposição, não há seguro no mundo que pague a vinda da obra.
Mostra paralela Além dos trabalhos de Monet, completam a exposição oito quadros da coleção particular do artista provenientes do Marmottan. Entre eles, dois de Renoir (Baigneuse Assise sur un Rocher e La Plage des Martigues, dois óleos sobre tela) e um de Sisley (Le Canal du Loing au Printemps, outro óleo sobre tela).
Para completar a exposição paralela, serão apresentadas telas de outros impressionistas, como Boudin e Sisley, pertencentes ao acervo do MNBA, e quadros de Cézanne, Renoir, Manet e do próprio Monet, cedidas pelo Masp. A exposição principal ocupará os 2 mil metros quadrados da Galeria do Século 19 do museu.
Será exibida também a mostra paralela A Presença do Impressionismo no Brasil, reunindo quadros de artistas brasileiros que sofreram a influência do movimento impressionista.
Virão ainda do Museu Marmottan objetos pessoais de Monet, como seus óculos, sua caneta de pena e um cachimbo, além de 40 fotografias que mostram o pintor com sua família e amigos. Completa a exposição uma sala multimídia com 50 terminais de computador, montada pela IBM, onde o público terá acesso a CD-ROMs sobre o impressionismo e aos diversos sites sobre Monet na Internet.
Haverá também uma sala destinada ao público infantil, com o apoio de uma equipe pedagógica, cujo objetivo é estimular o gosto pelas artes plásticas.
O preço dos ingressos varia de R$ 1,00 (estudantes) a R$ 10,00 (antecipados, com dia e hora marcados). A Editora Salamandra confeccionou o catálogo da exposição, que será vendido a R$ 35,00.
Público recordeA expectativa dos organizadores é a de que o público da Exposição Monet supere em muito o total de visitantes da Exposição Rodin - recorde do MNBA, com 226 mil pessoas. Por isso, o horário de funcionamento do museu será ampliado. O MNBA ficará aberto até as 22h, de terça a domingo.
Outra novidade: a direção do museu decidiu reservar horários especiais para a visita de escolas. De terça a sábado, o horário de 7h às 10h está reservado para estudantes. As segundas, dia em que tradicionalmente o MNBA fica fechado, a exposição estará aberta à visitação de escolas das 7h às 18h. Apesar de todas as precauções, as filas na porta do MNBA devem ser grandes, por causa de uma limitação de 300 pessoas no prédio, imposta pela direção do museu Marmottan-Monet.


