Brasileiros correspondem hoje a 15% dos 2 mil estudantes que se inscrevem por ano nas escolas da Inglaterra
SALA DE AULAA jornalista Kirst French, professora do St. Giles College: para ela, os estudantes brasileiros são os favoritos
Mônica Kaseker
Especial para Folha Turismo
A maioria dos estudantes brasileiros encontrados em Londres é de pessoas que já estavam longe da sala de aula há algum tempo. Profissionais liberais que aproveitam as férias para aprimorar o inglês, conhecer novas culturas e fazer turismo. É o caso do engenheiro civil Gilberto Braga Coelho, de Niterói (RJ), que estudava inglês há muito tempo e já havia inclusive feito o exame de Cambridge. ‘‘Não uso o Inglês no meu trabalho atualmente, mas no Brasil a gente nunca sabe. É sempre bom estar pronto para oportunidades’’, diz. Mais do que a garantia do reconhecimento curricular, aprimorar o inglês foi uma satisfação pessoal, segundo ele. Gilberto optou por ficar hospedado no alojamento da escola, para evitar a locomoção diária e para ficar mais independente. O balanço final da viagem, diz Gilberto, é positivo. ‘‘A gente vem pensando que vai colocar uma pedra no assunto, mas descobre que é só o começo. Mesmo que em termos de didática possa ter falhas, a experiência vale pela integração com pessoas de várias culturas’’, conclui.
A médica intensivista Alice Corrêa, de Florianópolis, diz que resolveu investir suas férias para aprimorar o inglês e ficar numa cidade por mais tempo, de forma mais barata, conhecendo pessoas do mundo inteiro. ‘‘As condições financeiras me fizeram pensar duas vezes, mas a vontade de vir foi maior. Consegui conjugar as férias em quatro empregos e não poderia perder a oportunidade’’, conta. Na avaliação de Alice, o curso e a convivência com a cidade ajudaram na fluência, mas o maior aprendizado foi mesmo cultural.
O engenheiro químico Marcel Alex Saavedra, de São Paulo, também considera que a experiência ampliou seus horizontes. ‘‘A imersão funciona e outro ponto positivo é o contato com pessoas de vários países’’, diz. Na avaliação de Marcel, mais do que o curso em si é a imersão na língua inglesa que proporciona maior resultado.
A jornalista Kirst French é uma das professoras do St. Giles College no centro de Londres. Para ela, os estudantes brasileiros são os favoritos pelo fato de não terem medo de errar ao falar inglês. Ao contrário dos japoneses, que são ótimos em gramática, mas têm dificuldades na conversação por causa da timidez e do medo de errar, os brasileiros são mais espontâneos.
Louise Winney, coordenadora de marketing do Grupo St.Giles, que tem mais três escolas na Inglaterra, uma na Suíça e outra nos Estados Unidos, diz que japoneses e brasileiros estão entre os estudantes que mais procuram a escola. Só em Londres, os brasileiros correspondem hoje a 15% dos 2 mil estudantes que se inscrevem por ano.

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