Bota, chapéu de caubói, cinto, calça jeans apertada, camisa xadrez e .... olhos puxados. O cantor Joe Hirata, o ‘‘japonês sertanejo’’, simboliza a integração entre as culturas brasileira e nipônica nestes 100 anos da chegada dos primeiros japoneses ao Brasil. Mesmo cantando música sertaneja há quase 14 anos, muitas pessoas ainda se surpreendem com um ‘‘japonês’’ extrovertido que faz muita bagunça no palco. Esta ‘‘Mistura de Raças’’ (nome do último CD do cantor) marcou o show que Joe Hirata fez em Londrina no último domingo, no encerramento da Expo
Imin 100.
  Com 10 anos de carreira, cinco CDs lançados, agendada lotada até o final do ano e uma volta ao Japão em outubro ou novembro para a quinta turnê, o maringaense fã de rodeios não poupou esforços para realizar um sonho acalentado desde os oito anos de idade – tornar-se cantor de sucesso na terra de seus avós. Incentivado pela família e acumulando títulos em concursos amadores de karaokê, Hirata partiu em 1988, aos 20 anos, para a Terra do Sol Nascente. ‘‘Formado em Análise de Sistemas, fui para o Japão sem emprego e desconhecendo a língua. Trabalhei como dekassegui por seis anos, a maior parte do tempo na área de projetos de uma fábrica’’, recorda.
  O grande impulso à carreira ocorreu em 1994, quando Hirata saiu vitorioso do ‘‘NHK Grand Champion Takai’’ - o maior concurso de karaokê daquele continente, realizado pela TV estatal NHK, em Tóquio, e que conta a cada edição com aproximadamente 80 mil candidatos. Foi a primeira vez que um estrangeiro conquistou esse prêmio após
49 anos de existência.


De volta ao Brasil em 1999, ficou conheciod nacionalmente em 2002 ao participar durante três meses de um concurso de calouros no ‘‘Programa Raul Gil’’, interpretando músicas de Jessé, sucessos sertanejos e canções nipônicas

O CD foi lançado em outubro do ano passado. Nele, Hirata homenageia o centenário da imigração japonesa com a música ‘‘Raça e Ginga Misturou’’, um vanerão com taiko (tambores japoneses). Outra faixa de destaque é ‘‘Sonho de um Brasileiro’’, que simboliza a trajetória do nikkei sonhador que conquista reconhecimento no Japão

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