Japão leva a melhor na festa de Locarno
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segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Flávia Guerra<br> Agência Estado 
''Ai No Yokan'' (''O Renascimento''), do japonês Masahiro Kobayashi, levou o Pardo de Ouro do 60º Festival de Cinema de Locarno. O prêmio é uma clara evidência da força que o cinema oriental conquistou e vem mantendo há anos nos principais circuitos de festivais do mundo. ''Foi uma decisão tranquila. O júri todo concordou. É um prêmio merecido. Já houve outros em que tivemos de discutir mais'', comentou o diretor e fotógrafo brasileiro Walter Carvalho, que integrou o júri da competição oficial do festival, ao lado de Saverio Costanzo, Irène Jacob, Jia Zhang-Ke, Romuald Karmakar e Bruno Todeschini. ''O Renascimento'' toca no tema do direito à reconquista da esperança.
Nada mais óbvio, e nada mais difícil, para um homem que perdeu a mulher e teve a filha assassinada, do que buscar renascer. E esse homem busca a nova vida longe da cidade grande em que morava. Muda-se para a ilha de Hokaido e vai trabalhar em um hotel. Mal sabe ele que a cozinheira do mesmo hotel é mãe da assassina de sua filha. A trama, que poderia se tornar um drama sem fim com altas doses de exagero emocional, cai nas mãos certas de um diretor rigoroso que, mesmo tendo sido ele mesmo músico e cantor antes de se tornar diretor, não faz - em momento algum - uso de artificialismos para ''emocionar a platéia''.
A trilha é nula. Os sons são naturais e realistas. Para o Oriente também foi a ousada menção honrosa ao jovem diretor de fotografia coreano Cho Sang-yoon, pelo seu trabalho original em Boys of Tomorrow, de Noh Dong-seok. Nesse quesito, ficou mais que clara a intervenção de Carvalho para a escolha. ''Eu batalhei por esse prêmio para o Sang-yoon. Ele fez um trabalho impecável. E, mais do que isso, não segue a escola americana de fotografia'', declarou Carvalho.
Michel Piccoli, que recebeu na noite de sexta um prêmio especial de carreira, também saiu da Suíça com o Pardo de Ouro de melhor atuação masculina, só que este foi dividido com Michele Venitucci, pelo rigoroso Fuori dalle Corde, de Fulvio Bernasconi. O prêmio de melhor atriz foi para Marian Alvarez por Lo Mejor de Mi, do espanhol Roser Aguilar. A melhor direção foi para Philippe Ramos, por Capitaine Ahab, co-produção franco-suíça.
O Brasil não levou prêmios, mas marcou posição em seções prestigiadas como Cineastas do Presente, com ''Juízo'', de Maria Augusta Ramos; ''Handerson e as Horas'', de Kiko Goifman; ''Trecho'' (de Helvécio Marins Jr. e Clarissa Campolina), ''Outono'' (de Pablo Lobato) e ''Das Ruínas à Resistência'' (de Carlos Adriano).


