São Paulo, 19 (AE) - As coisas mudaram um bocado desde a última vez que a banda soul inglesa Jamiroquai esteve aqui, em 1997, no Free Jazz Festival. Era um hype na época, com 11 milhões de discos vendidos. Mas seu CD mais recente, Synkronized
já não é uma unanimidade de crítica - muito pelo contrário. A música do grupo é hoje mais discothéque do que soul. E o líder da banda, o provocador Jay Kay, está bem mais rico e até comprou na Inglaterra uma mansão de 11 quartos que pertenceu ao arcebispo de Canterbury.
Ainda assim, é certo que vão agitar a pista do Metropolitan, no Rio, onde se apresentam amanhã à noite, e a da Via Funchal, em São Paulo, onde tocam sábado e domingo, sob o patrocínio da Levis. Segundo disse em entrevista por telefone, de Londres, um dos fundadores do grupo, o tecladista Toby Smith, a banda quer recuperar "na estrada" o elã que a música perde diariamente para os grandes esquemas publicitários.
Em São Paulo e no Rio, que já conhecem e que os surpreendeu pela intensa vida cultural e social, esperam algo diferente. "Estivemos em Woodstock e o que posso dizer é que aquilo virou algo muito comercial, não foi nem um pouco divertido", disse Smith. "É tudo muito caro e as pessoas, bêbadas, sequer se dão conta do que está se passando no palco", reclamou, acrescentando que, no Brasil, sentiu algo diferente.
O tecladista, apesar de tocar num grupo em que os vocais são decalques de Stevie Wonder e as cordas evocam as levadas de Isaac Hayes, afirmou que suas preferências pessoais são outras. "Para ser honesto, gosto de música clássica e também de Herbie Hancok e Marvin Gaye", revelou. "E também me dá um prazer imenso ouvir Antônio Carlos Jobim, que vocês devem conhecer muito bem."
Smith contou que o Jamiroquai sofreu um duro golpe recentemente, com a saída do baixista Stuart Zender. O problema é que Zender saiu quando o disco novo, "Synkronized", estava pela metade. Isso obrigou o líder do grupo, Jay Kay, a refazer parcialmente o trabalho. Por causa disso, dizem as más línguas, Kay teria feito até uma letra-desagravo para Zender, "King for a Day", que está no novo CD. "Creio que o Jay ficou com mágoas de Stuart, mas eu não", disse Toby Smith. "Eu entendi que ele resolveu dar uma guinada na vida e tudo bem, é um direito dele."
O Jamiroquai é um delírio da cabeça do baixinho Jay Kay, que coleciona carros caros e problemas. Nascido em Manchester, em 1969, Kay é filho de uma cantora de boate, Karen - o pai é um português, que ele não conheceu. Cresceu seguindo a mãe em turnê. Em 1991, ele recrutou seus partners - Derrick McKenzie (bateria), Toby Smith (teclados), Stuart Zender (baixo) e Wallis Buchanan (instrumentos exóticos, como um didgeridoo australiano). Hoje, eles têm em turnê o guitarrista Simon Katz, o baterista Derrick McKenzie, o baixista Nick Fyffe (substituindo Zender), o saxofonista Mike Smith, o trompetista Martin Shaw e o tecladista Simon Carter.

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