O Centro Internacional de Fotografia de Nova York abre nesta terça-feira uma exposição dedicada a obra de James Natchwey. Fotógrafo da agência Magnum, Natchey escolheu as melhores imagens, ou as mais terríveis, que recolheu na Romênia, Somália, Índia, Sudão, Bósnia, Ruanda, Zaire, Chechênia e Kosovo para o livro ‘‘Inferno’’, base da exposição.
‘‘Inferno não é um livro de moda’’, diz Natchwey, nascido há 52 anos no norte do estado de Nova York. ‘‘Não é um livro irônico, cínico ou sofisticado. Mas o público respondeu’’, explica ele. Um mês depois do lançamento, todos os exemplares da edição de grande formato, com 500 páginas e preço em torno de 125 dólares, tinham sido vendidos.
O olhar de um órfão romeno, capturado pelas lentes de Natchwey, é insustentável. No texto, ele explica: ‘‘A cada minuto, queria fugir. Não queria ver nada. Mas tive que tomar uma decisão, entre fugir ou enfrentar aresponsabilidade de estar ali com uma câmera.’’ Natchwey decidiu fazer sua parte com o talento que já lhe rendeu diversos prêmios, inclusive o ‘‘World Press Picture of the Year’’ (foto jornalística do ano) em 1996.
Natchwey admite que no início da carreira como fotógrafo de guerra, esteve fascinado. ‘‘Nas zonas de guerra vê-se coisas que não são vistas em nenhum outro lugar’’, diz ele. Mas com a sucessão de assassinatos e massacres, quis dar um sentido social ao seu trabalho.
Natchwey explica que o livro não é tão pessimista: ‘‘Inferno é uma viagem pessoal aos confins mais obscuros da última década do século XX. É uma história de dor, de injustiça, de sofrimento e de morte. Mas também é um chamado aos melhores instintos do leitor, a sua capacidade e vontade de identificar-se com os demais.’’

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