São Paulo, 13 (AE) - O papa está na cidade. Não é Sua Santidade, até porque o currículo deste homem não o deixaria passar muito perto do Vaticano. Trata-se do homem-show James Brown, o nome do funk mais antigo e imprevisível artista do gênero em atividade.
Os preços são estratosféricos, mas ninguém seria louco de desaconselhar um show de Brown. "Youve Got the Power", diz a canção que uma das vocalistas da banda de Brown, Bea Ford, eternizou em 1960. Brown e sua féerie gigantesca dão ao espectador essa sensação de liberdade e poder.
Abandonado pela mãe quando tinha 4 anos, James Brown foi criado por uma tia, Handsome "Honey" Washington, em um bordel. Ninguém sabe com exatidão sua idade - as biografias apontam dois anos-chave, 1928 e 1933. Teria, então, entre 66 e 71 anos.
Deixou a escola no primário e passou quatro anos em reformatório, quando adolescente. "Adotado" por algum tempo pela família do músico Bobby Byrd, Brown foi descoberto pelo empresário de Little Richard, Clint Brantley, que lhe ofereceu um quarto no night club Two Spot em Macon, na Geórgia. Brown trabalhava de dia numa indústria automobilística e de noite era membro temporário da banda do Two Spot.
Tocava de tudo, de piano a órgão, para gente como Bill Johnson, The Four Steps of Rhythm, The Gospel Starlighters e outros. Entrou também para o grupo gospel de Bobby Byrd, The Three Swanees. Foi aí que conheceu os companheiros com os quais formaria um grupo já lendário do gênero, Famous Flames. Com eles
gravaria seu primeiro disco, "Please, Please, Please". O single do Famous Flames tornou-se um clássico do rhythmnblues.
O resto é história. Em 1959, James Brown já era conhecido em toda a América por conta do hit "Try Me (I Need You"). Em 1963, vende 1 milhão de cópias de "Live at the Apollo", que registrava a estonteante balada "Prisoner of Love". Em 1965, com uma banda liderada por Nat Jones, Brown desenvolve seu maior hit, "Papas Got a Brand New Bag", que o leva ao Top 10 das paradas por semanas. Não satisfeito, grava o outro hit mais conhecido no mundo todo, em dezembro: "I Got You (I Feel Good"), espécie de Garota de Ipanema do funk.
É a história da música em cena, embora ele mesmo só dê a graça de seu talento em alguns momentos - o resto é com a banda e as backing vocals. James Brown clamou por tolerância quando Martin Luther King foi assassinado e tocou para tropas americanas no Vietnã. Foi preso por incitar desordem (cumpriu pena de seis meses) e condecorado por patriotismo. Não veio ao mundo para explicar. É do caos que nasce sua música e é ela que o público quer. James Brown. Amanhã (14), às 22 horas. De R$ 60,00 a R$ 130,00. Olympia. Rua Clélia, 1.517, tel. 3675-3999

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