James Bond está de volta em "O Mundo não É o Bastante"
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quinta-feira, 23 de dezembro de 1999
Por Luiz Zanin Oricchio 
São Paulo, 23 (AE) - Sophie Marceau não faz feio num panteão de mulheres que conta com Ursula Andress, René Russo, Danielle Bianchi, Jane Seymour, Barbara Bach e tantas outras. Bond girls, como se diz, as garotas que circulam em torno de James Bond, o 007, agente de Sua Majestade, com licença para matar, beber, fumar, - enfim, curtir as coisas boas da vida, e paremos por aqui.
A série é um sucesso mundial contínuo desde o primeiro título, "O Satânico Dr. No", até este que está estreando sábado, "O Mundo não É o Bastante". Bond foi mudando de encarnação à medida em que os anos passavam: Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton e Peirce Brosnan. Não há dúvida, entre os aficcionados sobre quem foi o melhor: Connery, na cabeça.
Também não há polêmica lícita sobre a bond girl emblemática. Com Ursula Andress na parada, quem se habilita a votar em outra? Nada contra a fogosa Sophie Marceau, muito menos contra a exuberante Maria Grazia Cuccinota (de O Carteiro e o Poeta), que também gravita em torno de Brosnan. Mas, aquela cena de "O Satânico Dr. No", com Ursula saindo do mar, bem, não há nada igual. Já foi comparada a Afrodite saindo das águas e não parece que haja exagero na afirmação.
Nem sempre as mulheres de Bond ganharam vida própria. Muitas vezes funcionavam apenas como coadjuvantes, que entravam nos filmes, cumpriam seu papel, e desapareciam para todo o sempre, deixando apenas uma agradável lembrança na retina do espectador. O caso mais notório é o de Danielle Bianchi, que entrou no ótimo "Moscou contra 007" e depois sumiu sem deixar rastros. Injustiça com a moça. Ainda mais quando se pensa que o vilão desse mesmo filme, Robert Shaw, saiu da pele de homem mau para se transformar num dos atores mais requisitados dos anos seguintes.
Ursula Andress não tem páreo. Mas também não dá para esquecer um avião como Kristina Wayborn, que contracena com Roger Moore em "Octopussy". O filme é uma imitação das aventuras de Indiana Jones, com Bond tentando opor-se a um grupo terrorista, armado com uma bomba atômica, que deseja explodir sobre Berlim.
Como tantos outros da série, este também é meio destrambelhado, mas se redime em momentos de humor como aquele em que Bond foge de Cuba num aviãozinho e pousa para abastecê-lo em um posto de gasolina. Diversão em estado puro.
A função das bond girls nos filmes é de arrepiar os cabelos curtinhos da mais amena das feministas. Elas estão lá para servir sexualmente o seu senhor, por mais que possam - e devam - parecer poderosas e agressivas. Não é difícil ver como entram na composição do personagem James Bond, um tipo ficcional criado pelo romancista inglês Ian Fleming. Bond dava forma a um tipo que provavelmente seu criador gostaria de ser, uma espécie de tipo ideal de aventureiro, saído da cabeça de um pacato escritor.
Bond tem cerca de 30 anos, bebe moderadamente (coquetel de vodca e martini, este batido, nunca agitado). Apreciador e conhecedor de vinhos. Diz-se que reconhece uma vindima clássica pelo bouquet. Fuma e acende seus cigarros com um vistoso isqueiro Dunhill. De ouro. Joga e é um conquistador nato. Talvez uma forma de compensar a viuvez.
No original de Fleming, Bond teve a mulher assassinada por seu arqui-rival, Ernst Stavro Blofeld. Enfim, é um homem sofisticado, com uma ponta de tristeza localizada em algum lugar do passado, bon vivant, e eventualmente pode se tornar um assassino. Mas só de gente que não merece viver. Uma história em quadrinhos, enfim.
Neste mundo simplificado, as mulheres funcionam como partners perfeitas, aquelas que existem para realçar a virilidade do herói. Bond não seria o mesmo sem elas, ou você conseguiria imaginar um 007 levando vida de monge, ou voltando para casa depois do expediente?


