Jamaica, uma sedução de contrastes
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2001
Eduardo Petta<bR>Especial para a Agência Estado 
Quem quiser explorar a Jamaica deve pular o muro dos resorts. Nada contra eles. Pelo contrário: são o máximo nos quesitos conforto e lazer. Mas há muito mais para descobrir lá fora. Vença a preguiça, o luxo e ponha o pé na estrada rumo a lugares como Port Antonio, o paraíso que seduz astros de Hollywood do naipe de Tom Cruise e Brooke Shields, e Treasure Beach, um santuário de praias desertas e pousadas aconchegantes.
Ou, ainda, tome o caminho das montanhas repletas de rios, cachoeiras e trilhas na mata. Nestes pontos, onde o turismo de massa não chegou, é possível conhecer os hábitos do povo e a complexa cultura deste país.
Ao contrário da agitação que domina os grandes centros jamaicanos como Kingston, Ocho Rios e Montego Bay, nos vilarejos do interior e do litoral o ritmo é sossegado e as paisagens são ainda mais belas. Para chegar a eles, é preciso dirigir.
Terceira maior ilha do Caribe, a Jamaica mede 250 quilômetros de leste a oeste e 80 km no trecho mais extenso, de norte a sul. Pode parecer pouco, mas o seu miolo é inteiro montanhoso e as estradas esburacadas e perigosas tornam tudo mais demorado. As viagens são cansativas, mas há sempre a recompensa de chegar a pontos autênticos.
Em Treasure Beach, por exemplo, todas as manhãs é possível ver os pescadores consertando redes e rolando suas toscas canoas para a água. A conversa gira em torno da pesca, das condições do mar e da lua. Na vila erguida em torno da praia de areia branca bordada de coqueiros balançando ao vento, a natureza é quem dá o tom. Seus moradores preservam com carinho a sombra das árvores construindo suas casas em harmonia com a paisagem. Feitas de madeira e muito coloridas, elas são o charme do lugar.
É lá que fica a Pousada Jake's, considerada uma das melhores do mundo com diárias abaixo de US$ 100 pelo guia Lonely Planet, que soube aliar a beleza da costa ao bom gosto arquitetônico. Os quartos são rústicos e simples, mas muito confortáveis. E o melhor: basta abrir a janela para encontrar o mar batendo contra as rochas.
De lá sai um barco que passa ao longo de 20 quilômetros de litoral antes de penetrar nas águas do maior rio do país: Black River. O rio começa escuro e largo, sempre ladeado por uma vegetação pantanosa, onde vivem crocodilos e várias espécies de pássaros. Mais para dentro, vai ficando estreito, suas águas se tornam transparentes e quentes, verdadeiros aquários naturais.


