Música é hetero. Música é homo. Música é bi. Música é virgem. Música é promíscua. Música é vício. Música é fim. Música é meio. Música é o início. Música de todos os jeitos. Música com todos os defeitos. Música com todas as qualidades, com todos os trejeitos.
A música e suas improváveis definições abrem o CD ‘‘Dis’ritmia’’, trabalho de estréia do cantor e compositor Jairzinho Oliveira, filho do sambista Jair Rodrigues. O disco chega às lojas pela gravadora Trama, QG de uma nova safra de talentos musicais que inclui nomes como Max de Castro, Otto e Simoninha.
Jairzinho e uma parte dessa turma fizeram shows durante um ano e meio sob o nome ‘‘Projeto Artistas Reunidos’’, com o qual lançaram um disco ao vivo no começo do ano. É com as treze faixas de ‘‘Dis’ritmia’’, porém, que sua reputação deverá escalar vários andares. É um dos melhores álbuns lançados na temporada.
Como muitos de sua geração, o músico mescla gêneros usando como base ora o rap (a faixa-título é ‘‘Dia Quente’’), o samba (‘‘Papo de Psicólogo’’, ‘‘Vem-Q-Tem’’, ‘‘Olha A풒) ou o soul/r&b (‘‘Você por Perto’’) abolindo fronteiras na maioria das vezes (‘‘Esquece’’, ‘‘Falta Dizer’’, ‘‘Choro a Chuva’’ etc) – tudo sob arranjos preciosistas que remetem ao acid jazz combinando instrumental acústico e interferências eletrônicas.
Tomando literalmente as rédeas do trabalho, Jairzinho assinou as composições, os arranjos e a programação. E ainda tocou violão e teclados. Apesar da pouca idade, 25 anos, esbanja experiência. Em seu currículo consta uma especialização em produção musical na Berklee College of Music, de Boston (EUA), onde estudou de 93 a 98. Fez ainda um breve estágio no departamento de black music da gravadora Elektra (ligada ao grupo Warner).
Como produtor, gravou discos de seu pai, de sua irmã (Luciana Mello) e do cantor Vicente Barreto. Co-produziu ainda os trabalhos de Wilson Simoninha e do Projeto Artistas Reunidos. A seguir, leia trechos da entrevista que Jairzinho concedeu por telefone à Folha2.

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