Jair Rodrigues completa 70 anos com DVD
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Adriana Alves<br> Folhapress 
Nascido em meio a um canavial no verão de 1939, em Igarapava (446 km de São Paulo), Jair Rodrigues completa, no próximo dia 6 de fevereiro, 70 anos de idade. E a festa, no mesmo dia, no Auditório Ibirapuera, será aberta ao público.
Com o show ''Festa para um Rei Negro'' - célebre samba-enredo do Salgueiro composto por Zuzuca e gravado por Jair em 1971 -, o homem que imortalizou canções como ''Deixa Isso pra Lá'' e ''Disparada'' comemora suas sete décadas de vida e seus quase 50 anos de carreira ao lado de convidados especiais. Já estão confirmadas participações de nomes como o jogador Pelé e a dupla Chitãozinho & Xororó.
Durante o show - o do dia 6 será gratuito -, será gravado o primeiro DVD da carreira do Cachorrão, apelido que Jair ganhou nos anos 60. Com o sorriso largo e franco de sempre, o músico recebeu a reportagem em sua casa, onde falou da infância no interior e de outros momentos marcantes de sua carreira.
70 anos de vida
Pois é... e sabe como eu nasci? No meio de um canavial, lá em Igarapava. No final da novela (''A Favorita''), quando vi a cena da Céu (Deborah Secco) tendo o filho embaixo das árvores, lembrei disso. Minha mãe trabalhava na roça, já estava para dar à luz e mesmo assim foi trabalhar, foi cortar cana. Aí, acho que lá pelas duas ou três horas da tarde, estourou tudo (a bolsa), fizeram um colchão com palha de cana, e minha mãe deu à luz ali mesmo. Meu cordão umbilical foi cortado na base do facão. Jogaram água em mim e tô aqui até hoje, firme e forte, graças a Deus.
Contato com a música
Tudo começou em Nova Europa (317 km de SP), onde morei dos seis até os 14 anos. Minha mãe era muito católica e ia à missa todo fim de semana. Ela contava que, na primeira vez que fui a uma, eu não parava de olhar o coral. Então, ela me colocou para fazer parte. Quando eu tinha uns nove anos, minha mãe falou que estava na hora de eu aprender um ofício e me colocou numa alfaiataria. E nessa alfaiataria o pessoal gostava de música. Comecei a sair com eles, a ir a serestas, e assim a música foi entrando em mim.
Início da carreira
Dos 14 aos 19 anos, morei em São Carlos (interior de SP), e foi lá que me transformei num cantor da noite. Fui levar minha irmã caçula, a Maria, para participar de um programa de calouros numa rádio local, mas ela não passou no teste. Eles me chamaram, e cantei o samba ''Vivo Bem na Minha Terra'', de Francisco Alves. Passei a ser convidado para cantar todo domingo. Até que eu entrei no Tiro de Guerra, e um dia os meus colegas me levaram para fazer teste em um restaurante. Cantei lá como crooner durante dois anos e depois vim para São Paulo.
Mãe
Sempre tive uma grande fã, que era minha mãe. Ela era incentivadora. Ela falava: ''Se você se dedicar, meu filho, você ainda vai dar para um grande cantor''. Uma vez, durante um show, eu disse: ''Olha, mãe, tô aqui mas não precisei dar para ninguém, não, viu''. Ela ficou morrendo de vergonha e disse pra mim ''deixa de ser 'bobagento', meu filho'' (risos).
''Disparada''
É a música da minha vida. Foi com ela que consegui passar a ser visto como intérprete da música popular brasileira. Eu amo o samba, mas queria cantar outras coisas, queria diversificar meu repertório. Até 1966, eu era chamado de o homem da ''mãozinha'', por causa de ''Deixa Isso Pra Lá''. Quando gravei ela, os críticos diziam que eu seria mais um sambista de uma música só. Aí quando me consagrei com ''Disparada'', eles quebraram a cara e me pediram desculpas.


