São Paulo, 01 (AE) - O pianista Jacky Terrasson, de 33 anos, poderia ser incluído naquele grupo de jovens jazzistas conhecidos como "young lions" (jovens leões), não fosse o fato de que ele detesta esse rótulo. "Isso é só um apelo de marketing", disse Terrasson em entrevista, por telefone, na quarta-feira. Caberá a ele a abertura do Free Jazz Festival, às 20 horas do dia 15, no Jockey Club. "Se você está pronto para tocar, você está pronto, e não é preciso ser novo ou velho para isso".
Terrasson chega com um quinteto, que inclui Gregoir Marais (gaita), Jay Collins (sax e flauta), Ugonnna Okegwo (baixo) e Gerald Clair (bateria e percussão). Pela formação, dá para notar que Terrasson não é um músico comum. Seus arranjos para temas conhecidíssimos, como "I Love Paris", "My Funny Valentine" e "Bye Bye Blackbird" (que gravou no seu primeiro disco, Jacky Terrasson, pela Blue Note, em 1994) foram considerados "irreconhecíveis" pelos críticos do "Penguin Book of Jazz".
Curiosamente, Terrasson poderia ter-se tornado um músico erudito. Nasceu na Alemanha, filho de pai francês e mãe afro-americana. Cresceu em Paris e estudou piano clássico no Lycée Lamartine. Só foi para os Estados Unidos aos 17 anos, para estudar no Berklee College, de Boston. Lá, foi mordido pelo vírus do jazz. "Eu não sinto essa divisão, de me considerar mais europeu ou mais americano", disse Terrasson. "Eu tento afirmar minha individualidade por meio da música, mas eu nasci na Europa e é claro que isso transparece em meu estilo", afirmou o músico, que muitos dizem claramente influenciado por Ahmad Jamal e Keith Jarrett (que é seu amigo).
Terrasson teve um trio de piano por muitos anos. Só mudou a formação após gravar o disco mais recente, "What It Is", no ano passado. Continua achando o trio de jazz um formato interessante, mas está buscando novos caminhos. Experiência é que não lhe falta: já tocou piano para Dee Dee Bridgewater, Diane Reeves, Cassandra Wilson e para a diva Betty Carter, morta recentemente. "Eu estava acabando de chegar em Nova York e ela me convidou para tocar em seu grupo", lembra. "Com Betty, eu aprendi que jazz é trabalho duro", diz. Com Cassandra Wilson, ele gravou em 1997. "Ela é única e eu a respeito como é", diz o músico, indagado sobre a fama de temperamental de Cassandra.
Sobre a música brasileira, ele tem apenas duas referências: a música de Tom Jobim, que considera um compositor magnífico, e o Quarteto em Cy, que um amigo lhe indicou e de quem tem alguns discos. "Gosto do senso melódico da música brasileira", diz o pianista.

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