Músico nordestino
morto há 15 anos
ganha biografia e
um disco-tributo
com participação
de nomes consagrados
da MPB e de artistas pop
ReproduçãoJackson do Pandeiro: legado musical influencia novas e velhas gerações
Nelson Sato

Tudo conspira a favor dele, de sua música, de sua redescoberta. A homenagem especial dedicada a Jackson do Pandeiro há pouco mais de um mês na entrega do Prêmio Sharp foi só o sinal de que o ilustre paraibano está com ‘‘os dias contados’’ para retomar o antigo prestígio.
Morto há 15 anos, Jackson do Pandeiro vai ganhar um disco-tributo da gravadora BMG e uma biografia a ser publicada pela editora 34. Pouco lembrado pela crítica, mas reverenciado como ‘‘genial’’ pela nata da MPB, Jackson imprimiu seu nome na música nordestina ao fugir da sombra de Luiz Gonzaga introduzindo novos ritmos - coco e embolada - ao gênero.
ReproduçãoLenine:
interpretação
de ‘‘Sebastiana’’Inovou ainda ao combinar os elementos regionais com o samba de morro carioca. A essas mudanças, já incorporadas pela tradição, os músicos convidados para o disco em sua homenagem estão preparando algumas surpresas. Previsto para ser lançado em agosto, o álbum traz participação de artistas da velha guarda influenciados por ele e insuspeitados representantes do pop.
As sessões de gravação estão na reta final. Entre os que já passaram pelo estúdio constam a banda carioca O Rappa, que assina uma versão de ‘‘A Feira’’; o festejado cantor e compositor Lenine com uma interpretação de ‘‘Sebastiana’’; e Fagner com um registro de ‘‘Cantiga do Sapo’’. ‘‘Alguns convidados ainda não gravaram porque estão na França assistindo aos jogos da Copa, enquanto que outros estão definindo as músicas’’ - diz, por telefone, o coordenador do projeto Maurício Valladares.
A escalação do CD inclui ainda Gal Costa, Fernanda Abreu, Gabriel O Pensador, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Chico Buarque, Cascabulho, Os Paralamas do Sucesso e uma parceria de Lulu Santos com o grupo recifense Mestre Ambrósio. Segundo Valladares, ‘‘a intenção de convidar a turma pop é atrair o público jovem para a música do homenageado’’.
ReproduçãoFernandinha Abreu e Gabriel O Pensador: jovens astros reverenciam o velho mestreConvém lembrar que alguns dos jovens colaboradores do projeto também são assumidamente ‘‘herdeiros’’ do legado musical de Jackson do Pandeiro. É o caso do mais novo deles, o grupo pernambucano Cascabulho, considerado a principal revelação do festival Abril Pro Rock do ano passado. O CD de estréia da banda, que está para sair pelo selo independente Moongroove, vai trazer inclusive versões de músicas pouco conhecidas do repertório de Jackson do Pandeiro, como ‘‘Xodó de Sanfoneiro’’ e ‘‘No Balanço de Maria’’.
Para o disco-tributo, entretanto, o sexteto deverá escolher uma canção consagrada seguindo a linha geral do projeto. Outro motivo para deixar os entusiastas de Jackson eufóricos é o lançamento do livro Jackson do Pandeiro - O Rei do Ritmo, cujo contrato de publicação foi fechado esta semana entre a editora 34 e os jornalistas e escritores paraibanos Fernando Moura e Antonio Vicente.
A biografia é resultado de quatro anos e meio de pesquisa. ‘‘Com esse contrato, vamos poder acrescentar muito mais informações ao trabalho, já que com os recursos de patrocínio levantados pela editora poderemos viajar atrás de mais material’’ - conta, por telefone, Fernando Moura. Até agora, revela ele, foram feitas mais de 100 entrevistas com amigos, parceiros e parentes.
Como destaques, há depoimentos da viúva Almira Castilho (que mora no Rio) e uma entrevista com Jackson feita pelo ator Grande Otelo nos anos 60. ‘‘Essa entrevista, que foi gravada em vídeo, é antológica’’ - diz Moura, acrescentando que muitos elementos para o livro foram recolhidos de programas de televisão e dos filmes que o músico participou na década de 50.
O livro deve chegar ao mercado no começo do próximo ano.

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