São Paulo, 19 (AE) - Jackson Pollock (1912- 1956) é seguramente um dos grandes nomes da arte americana deste século e um principais responsáveis pela mudança da capital mundial das artes de Paris para Nova York. Com uma formação inicial bastante ligada à arte política dos muralistas mexicanos e posteriormente influenciado por Pablo Picasso e sua "Guernica", ele acaba desenvolvendo na década de 40 o que ficou conhecido por expressionismo abstrato ou action painting.
De forma catártica, ele traduz um ritmo vibrante para as telas. Não é à toa que Pollock era um grande admirador do jazz, que considerava a coisa mais criativa que estava ocorrendo nos EUA. Bebendo na fonte do automatismo surrealista, Pollock abandona o pincel e compõe lançando borrifos de tinta diretamente sobre a tela, seguindo uma espécie de ritual criativo. Propositalmente, ele cria uma obra na qual não há nada a decifrar. Mas como escreve o crítico Francis Francina em "Modernismo em Disputa", "as pinturas por gotejamento de Pollock parecem ser a antítese dos valores do industrialismo capitalista".
A matéria-prima que ele utilizava para criar suas pinturas era retirada do seu universo ordenado para serem transformadas em puro ritmo. Como define Argan, pode-se definir a obra de Pollock como uma "ação não-projetada numa sociedade em que tudo é projetado". Com uma personalidade bastante fragilizada pelo alcoolismo, Pollock oscilava entre a euforia criativa e grandes períodos de depressão. Sua fase áurea vai de 1947, quando realiza suas primeiras action paintins, até 1952.
A partir daí ele parece entrar em colapso, alimentando mais ainda sua imagem de artista rebelde. Volta a beber após dois anos de abstenção e morre quatro anos depois, ao bater contra uma árvore voltando para casa.

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