''Eu gosto de quando as coisas estão bagunçadas. Isso me força a tentar achar uma saída. A dificuldade é sempre o melhor ponto de partida.'' A afirmação do músico Jack White, capturada pelas lentes do documentário ''A Todo Volume (It Might Get Loud), de 2008, resume como sua criatividade é exercitada: hoje considerado um dos melhores guitarristas do mundo, White amplifica sua musicalidade através do conflito.

Suas guitarras, criadas e confeccionadas por ele mesmo - e batizadas com o nome de atrizes e ex-namoradas - não são suas melhores amigas; ao contrário, elas representam um deboche desafiador. White, muitas vezes, precisa arremessá-las contra a parede (literalmente) para trazer para a realidade o som distorcido que ele concebe dentro da sua própria cabeça. As guitarras são, ao mesmo tempo, suas musas, suas amantes e suas piores inimigas.

Na primeira experiência em um álbum solo, ''Blunderbuss'' - que estará disponível a partir de hoje no iTunes - White não foge da velha luta. Mesmo nas baladas mais calmas, as composições do músico ainda transitam entre sentimentos paradoxais, por sabores amargos e doces. Seja no primeiro single, ''Love Interruption'', com apenas violão e piano (''Eu preciso de amor / Para me rolar de lado gentilmente / Me enfiar uma faca / E contorcer tudo que existe'') como no divertido diálogo feminino-masculino da faixa ''Hip (Eponymous) Poor Boy'', White agora explora toda a sua potencialidade como músico.

Já era tempo. A sonoridade de Jack White dentro da sua banda original, o duo The White Stripes (junto com sua irmã Meg), sempre era limitada por uma tríade imaginária. A busca, assumida, era de fazer rock and roll com um minimalismo estético, sempre baseado no número três: os Stripes eram compostos de voz, guitarra e bateria, só vestiam vermelho, preto e branco e suas composições eram variações em cima de três tons.

Com o passar dos anos, o desgaste foi inevitável, e os projetos paralelos eram a única forma do músico escapar da prisão criativa que ele havia - voluntariamente - construído.

Leia a reportagem completa e a coluna SHUFFLE, de Rafael Ceribelli, em conteúdo exclusivo para assinantes da FOLHA.

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