Jack Nicholson ganha o terceiro Oscar da carreira
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de março de 1998
France Presse 
Jack Nicholson levou anteontem o Oscar de melhor ator por sua interpretação de Melvin Udall, um escritor irritante e neurótico, que acaba sendo humanizado pelo amor em Melhor é Impossível. Nicholson utilizou seu habitual encanto ambíguo para dar vida a este autor de romances sentimentais que acaba mudando de vida por causa de uma mulher.
Estamos muito orgulhosos com esse filme, declarou Nicholson, ao receber o prêmio. Durante toda a noite, tive uma sensação de naufrágio, brincou o ator, referindo-se aos diversos Oscars arrebatados pelo filme Titanic.
Para Nicholson, que completa 61 anos dentro de um mês, esta foi a décima primeira indicação e o terceiro Oscar conquistado. Antes, ganhou por seu papel de doente mental em Um estranho no ninho (1975), de Milos Forman, e de astronauta aposentado em Laços de ternura (1983), de James Brooks.
Apesar de estrear na carreira em 1958, teve de esperar até 1969 para alcançar êxito com Easy Rider (Sem destino), o filme emblemático da contracultura dos anos 60.
Desde então, não deixou de trabalhar com os melhores diretores: Bob Rafelson, Roman Polanski, Michelangelo Antonioni, John Houston, Stanley Kubrick.
Para interpretar o irritante Melvin, recorreu a todo seu arsenal de expressões irônicas, cínicas e mal-humoradas. Esse filme é a cara do Jack, declarou o diretor James Brooks, também roteirista de Melhor é Impossível.
Só que, dessa vez, o personagem ficcional consegue superar o próprio personagem Jack Nicholson (o eterno cínico de Hollywood) e, com seu obcecado escritor Melvin, um horror absoluto de ser humano, o ator volta a fazer uma demonstração de seu talento sem igual.


