Jack Nicholson levou anteontem o Oscar de melhor ator por sua interpretação de Melvin Udall, um escritor irritante e neurótico, que acaba sendo humanizado pelo amor em ‘‘Melhor é Impossível’’. Nicholson utilizou seu habitual encanto ambíguo para dar vida a este autor de romances sentimentais que acaba mudando de vida por causa de uma mulher.
‘‘Estamos muito orgulhosos com esse filme’’, declarou Nicholson, ao receber o prêmio. ‘‘Durante toda a noite, tive uma sensação de naufrágio’’, brincou o ator, referindo-se aos diversos Oscars arrebatados pelo filme ‘‘Titanic’’.
Para Nicholson, que completa 61 anos dentro de um mês, esta foi a décima primeira indicação e o terceiro Oscar conquistado. Antes, ganhou por seu papel de doente mental em ‘‘Um estranho no ninho’’ (1975), de Milos Forman, e de astronauta aposentado em ‘‘Laços de ternura’’ (1983), de James Brooks.
Apesar de estrear na carreira em 1958, teve de esperar até 1969 para alcançar êxito com ‘‘Easy Rider’’ (‘‘Sem destino’’), o filme emblemático da contracultura dos anos 60.
Desde então, não deixou de trabalhar com os melhores diretores: Bob Rafelson, Roman Polanski, Michelangelo Antonioni, John Houston, Stanley Kubrick.
Para interpretar o irritante Melvin, recorreu a todo seu arsenal de expressões irônicas, cínicas e mal-humoradas. ‘‘Esse filme é a cara do Jack’’, declarou o diretor James Brooks, também roteirista de ‘‘Melhor é Impossível’’.
Só que, dessa vez, o personagem ficcional consegue superar o próprio personagem Jack Nicholson (o eterno cínico de Hollywood) e, com seu obcecado escritor Melvin, ‘‘um horror absoluto de ser humano’’, o ator volta a fazer uma demonstração de seu talento sem igual.

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